O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou nesta terça-feira (18) um documento sigiloso ao TSE relatando 2.463 conteúdos de ameaça contabilizados pela própria campanha entre 5 e 14 de agosto. O pedido, dirigido ao presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, cobra "as providências cabíveis e necessárias" diante do que a campanha chama de escalada violenta.

Do total, a campanha classificou 36,5% como ameaças explícitas, 29,3% como incitação à violência, 28,5% como referências codificadas e 5,7% como conteúdo de planejamento ou oportunidade de ataque.

É a segunda vez em pouco mais de uma semana que a campanha divulga um balanço do tipo.

Até 11 de agosto, Flávio já dizia ter sido alvo de mais de 1.800 ameaças de morte, atribuídas à defesa que fez da classificação de PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas.

Desde então, a equipe de segurança do senador triplicou a presença policial e passou a usar colete à prova de balas de forma permanente.

O caso de Juiz de Fora

Um dos episódios citados no novo documento aconteceu em Juiz de Fora (MG), no último sábado (15). Um homem publicou "dessa fez deixa cmg" com emojis de faca, em resposta a uma postagem sobre a passagem de Flávio pela cidade.

A Polícia Legislativa do Senado, que monitora redes sociais em torno de compromissos de senadores, identificou a mensagem e cumpriu mandado de busca e apreensão no mesmo dia, com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais. O homem foi levado a depor.

Juiz de Fora é a mesma cidade onde Jair Bolsonaro sofreu um ataque a faca em 2018, durante a campanha daquele ano. Flávio faria uma motociata no município quando a nova ameaça foi identificada.

Flávio atribui parte do aumento das ameaças a uma fala do presidente Lula (PT), seu principal adversário na disputa.

Em convenção do PDT, em 20 de julho, Lula disse que "antigamente, traidor era enforcado" e que hoje há "mais de um traidor" que recorre aos Estados Unidos para pedir sanções contra o Brasil.

A campanha de Flávio interpreta a fala como um aceno a grupos radicalizados. Os advogados do senador protocolaram um novo pedido no STF em 28 de julho, depois de Lula repetir a frase em outro discurso.

A corte eleitoral também recebeu denúncia do lado oposto.

Em 30 de julho, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, apresentou ao TSE um pedido para apurar uma rede de perfis no Instagram e no TikTok.

Segundo a coligação, os perfis atacam a imagem de Lula e de seus aliados com conteúdo sintético gerado por inteligência artificial.