O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, recebeu embaixadores de 86 países nesta segunda-feira (17) na sede do tribunal, em Brasília, e classificou o processo eleitoral brasileiro como "eficiente, transparente e crível". A reunião integra a estratégia do TSE de reforçar a credibilidade internacional do sistema antes das eleições de 2026.

"O Brasil tornou-se, ao longo das últimas décadas, uma referência mundial na realização de eleições. A vanguarda entre as democracias representativas contemporâneas é resultado da contínua e paulatina construção de um processo eleitoral eficiente", disse Nunes Marques aos diplomatas.

O ministro também classificou as urnas eletrônicas como "patrimônio da democracia brasileira" e anunciou a realização da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação.

Segundo o TSE, o encontro reuniu diplomatas da ONU, dos Estados Unidos, da União Europeia e de Cuba, entre representantes de outros países.

Por que o TSE reforça esse discurso agora

Segundo reportagem da Revista Fórum, o encontro integra uma ofensiva do tribunal para reforçar a credibilidade internacional do sistema eleitoral diante de críticas internas ligadas ao bolsonarismo. Desde junho, o TSE vem promovendo reuniões com o corpo diplomático sediado em Brasília com esse mesmo objetivo.

Nas eleições de 2026, missões internacionais de observação eleitoral poderão acompanhar diferentes etapas do processo, incluindo auditorias, preparação das urnas, votação, apuração e totalização dos votos.

O alerta sobre inteligência artificial

Nunes Marques alertou os diplomatas para o risco de vídeos e áudios feitos por inteligência artificial capazes de "enganar o eleitorado, distorcer o debate público ou comprometer a livre formação da vontade política".

O ministro citou um acordo do TSE com a empresa ElevenLabs para bloquear, mediante consentimento, tentativas de imitação ou clonagem da voz de candidatos presidenciais.

Ele também disse que plataformas digitais se comprometeram a integrar uma "sala de situação" do tribunal, criada para reagir rápido a desinformação e conteúdo ilegal durante a votação.

O tribunal já usou esse tipo de mecanismo em eleições anteriores. A reunião desta segunda, porém, não detalhou publicamente quais plataformas assinaram o compromisso, nem o prazo para colocá-lo em prática.

O que ainda falta saber sobre a sala de situação

É esse detalhe, quais empresas assinaram e com que prazo, que vai dizer se o alerta sobre inteligência artificial feito aos embaixadores chega à campanha antes do primeiro turno.

Ou se fica só no discurso de uma reunião diplomática.