As mulheres são 34,8% dos mais de 20 mil candidatos registrados para as eleições de 2026, uma alta de 1 ponto percentual sobre 2022, segundo levantamento da Agência Patrícia Galvão com base em dados do TSE. Na disputa presidencial, porém, a participação feminina caiu à metade. São 2 candidatas entre 13, ambas de partidos sem representação no Congresso.

Segundo o TSE, o país teve 195 candidatos a governador, 314 a senador, 7.627 a deputado federal e 11.090 a deputado estadual neste pleito, além dos 13 postulantes à Presidência.

Ao todo, são 8,7 mil pedidos a menos que em 2022, a primeira queda no número de candidaturas desde 2006.

Entre esses registros, a proporção de candidatas subiu em quase todas as disputas proporcionais: deputado federal foi de 35% para 36,5%, e deputado distrital, de 34,8% para 35,5%. O avanço não se repete nos cargos majoritários.

Onde as mulheres têm mais espaço, e onde quase não têm

A maior presença feminina entre todos os cargos é para vice-governador: 84 das 196 candidaturas (42,9%) são de mulheres, segundo a Agência Patrícia Galvão.

No outro extremo está a Presidência. Das 13 candidaturas de 2026, apenas 2 são de mulheres (15,4%), ante 4 de 13 em 2022 (30,8%). A participação caiu praticamente à metade em quatro anos.

Governador e Senado também recuaram. Mulheres são 16,4% dos candidatos a governador (32 de 195), contra 17% em 2022, e 21,9% dos candidatos ao Senado (69 de 315), contra 23,9% em 2022.

As duas candidatas à Presidência são Samara Martins, do Unidade Popular (UP), com a vice Raquel Brício, e Clariana Barão, do Democracia Cristã (DC), com a vice Fabiana Torquato. Nenhum dos dois partidos tem representação no Congresso.

As seis chapas mais bem colocadas nas pesquisas são só de homens, com vices também homens. São elas Lula (PT) e Alckmin (PSB), Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar (PL), e Ronaldo Caiado (PSD) e Gilberto Kassab (PSD).

Completam a lista Romeu Zema (Novo) e Eduardo Girão (Novo), Augusto Cury (Avante) e Júlio Delgado (Avante), e Renan Santos (Missão) e Aroldo Medina (Missão).

A legislação eleitoral reserva cota mínima de candidaturas femininas nas disputas proporcionais, mas não exige mulheres nas chapas majoritárias. A formação da chapa presidencial é decisão de cada partido.

O que isso muda para o eleitor

Desde 2002, toda eleição presidencial no Brasil teve ao menos uma mulher em chapa de partido com representação no Congresso. Em 2026, isso deixa de acontecer pela primeira vez neste século.

Na prática, quem for votar para presidente não vai encontrar nenhuma mulher entre as chapas com chance real de vitória, mesmo com o conjunto geral das candidaturas femininas em alta.