A atriz Laura Cardoso morreu na madrugada desta terça-feira (18), aos 98 anos, em Itu (SP). Nascida Laurinda de Jesus Belleroni, ela detém um recorde que nenhum outro ator ou atriz do país alcançou: 63 papéis em telenovelas ao longo da carreira.

A trajetória começou no rádio, aos 15 anos, numa época em que mulheres enfrentavam preconceito para atuar em radionovelas. Na década de 1950, migrou para a televisão recém-criada no Brasil, em teleteatros pioneiros da TV Tupi como "Tribunal do Coração", de 1952.

Como uma carreira atravessa oito décadas?

Laura se consolidou como atriz de novelas nos anos 1960 e 1970, período de formação da teledramaturgia brasileira. Diferente de colegas que sumiram das telas com a idade, ela seguiu emplacando papéis relevantes décadas depois.

Esteve em sucessos como Chocolate com Pimenta (2003), Caminho das Índias (2009), Sol Nascente (2016) e O Outro Lado do Paraíso (2017). Seu último trabalho foi na novela A Dona do Pedaço, em 2019, quando ela tinha 91 anos.

Fora da TV, colecionou reconhecimento em outras frentes. Venceu o Prêmio Shell de Teatro duas vezes e atuou em filmes aclamados como O Quatrilho, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1996, e Através da Janela.

Recebeu ainda o Troféu Mário Lago, a Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República, e o Troféu Oscarito no Festival de Gramado.

Em outubro de 2025, Laura foi uma das primeiras homenageadas na inauguração da Calçada da Fama dos Estúdios Globo, no Rio.

Dividiu a honraria com nomes como Tony Ramos, Renato Aragão, Antônio Pitanga e Nathália Timberg. Juntos, formam a geração que sustentou a teledramaturgia brasileira por meio século.

O que uma carreira assim ainda ensina

O recorde de 63 novelas não é só uma estatística de currículo. É a marca de uma atriz que permaneceu relevante em papéis de peso da estreia, nos anos 1950, até os 91 anos, em 2019.

Nesse intervalo, atravessou a TV Tupi, a ascensão da Globo e a era do streaming sem sair de cena.

Poucos nomes da geração fundadora da teledramaturgia brasileira ainda estavam ativos profissionalmente nessa idade. Com a partida de Laura Cardoso, resta a pergunta de quem, entre as gerações seguintes, vai sustentar uma carreira tão longa quanto a dela.