A crise entre ministros do STF domina o noticiário a 19 dias do primeiro turno, mas pesquisa Datafolha mostra que ela pouco move o voto. Para 85% dos eleitores, as acusações contra Alexandre de Moraes não mudam em quem votar, e só 4% dizem ter mudado de posição por causa do caso.

O levantamento, contratado por Folha de S.Paulo e TV Globo, ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos, com registro no TSE sob o número BR-01833/2026.

66% dos entrevistados disseram conhecer o episódio envolvendo Moraes, mas só 26% se consideram bem informados sobre o assunto. O caso do ministro André Mendonça é menos conhecido, com 45% cientes do episódio e 22% bem informados.

Há uma assimetria entre eleitorados. Entre quem vota em Flávio Bolsonaro, 75% conhecem o episódio envolvendo Moraes, contra 61% dos eleitores de Lula.

Mesmo com essa diferença de atenção, o efeito sobre o voto é parecido nos dois grupos. Apenas 7% do total ficaram em dúvida por causa do caso, e 4% mudaram de posição.

O contraste chama atenção porque a crise domina o debate público desde o início de setembro, com sessões do STF blindadas por drones e celular lacrado. Só as mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Moraes, no centro do caso, somam 52 registros já tornados públicos.

Por que a crise ocupa tanto espaço, então?

Para a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, a resposta está na lógica da atenção nas redes. Em coletiva nesta terça-feira (15), ela criticou o que chamou de "tiktokização" da campanha.

Sofremos um processo violento de "tiktokização" da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha

disse Castro, ao lançar um relatório da entidade sobre violência contra jornalistas.

Segundo ela, a mídia busca engajamento momentâneo em vez de discutir com profundidade temas como questões climáticas, exploração de terras raras e atração de data centers para o país.

O episódio expõe um descompasso entre o que domina o debate público e o que de fato pesa na hora de votar.

A disputa pelo governo de Minas Gerais é um exemplo do alcance da crise. Mesmo sendo uma eleição estadual, um candidato passou a fazer da reforma do STF bandeira de campanha.

O ponto em aberto

A pergunta que fica é se, faltando menos de três semanas para a votação, o debate eleitoral consegue voltar às propostas de governo antes de 4 de outubro, ou se a crise institucional seguirá sendo o assunto até a urna.