Os quatro candidatos ao Senado pelo Amapá participaram, na noite desta sexta-feira (25), de um debate promovido pela Rede Amazônica em Macapá. As maiores divergências giraram em torno da exploração de petróleo na Foz do Amazonas e da privatização de água e energia.

Participaram os únicos quatro candidatos convidados: Acácio Favacho (MDB), Alliny Serrão (União Brasil), João Alberto Capiberibe (PSB) e Randolfe Rodrigues (PT). O critério de convite foi representar partido ou federação com ao menos cinco parlamentares no Congresso, conforme prevê a Lei das Eleições.

A mediação foi da jornalista Daniela Branches, com transmissão do g1 Amapá e da Rádio CBN.

Os quatro concorrem às duas vagas ao Senado pelo Amapá.

João Alberto Capiberibe (PSB) criticou o voto de Alliny Serrão (União Brasil), quando presidia a Assembleia Legislativa do Amapá, a favor da privatização da Caesa e da CEA, as estatais de saneamento e energia. Segundo ele, as concessões geraram tarifas abusivas para a população vulnerável.

Alliny Serrão defendeu sua atuação parlamentar e disse que a privatização exige fiscalização rigorosa para garantir a qualidade dos serviços. Ela defendeu reduzir as tarifas de energia aproveitando o potencial do Amapá como estado produtor.

O que está em jogo com o petróleo da Foz do Amazonas?

O Ibama autorizou a Petrobras, em setembro, a perfurar mais três poços na bacia da Foz do Amazonas, semanas depois de a estatal confirmar a descoberta de petróleo no poço Morpho. A Petrobras ainda precisa calcular o volume da reserva antes da eventual produção.

Randolfe Rodrigues (PT), que concorre à reeleição para o terceiro mandato consecutivo e é líder do governo Lula no Congresso, cobrou dos adversários propostas para transformar a descoberta de petróleo autorizada pelo Ibama em desenvolvimento social.

Como proposta, ele defendeu a criação de uma universidade federal em Oiapoque para qualificar mão de obra local, além de mais investimento em portos. A resposta a essa cobrança pode decidir se a riqueza do petróleo chega à população do Amapá ou fica concentrada.

O impacto da descoberta na economia do Amapá ainda é discutido, mas o tema ainda aparece pouco nas pesquisas eleitorais do estado. Randolfe também já enfrentou percalços na corrida antes do debate.

Em junho, um evento de pré-candidatura dele chegou a ser suspenso no Amapá.

O que acontece agora

A Petrobras tem até 30 dias após receber a licença do Ibama para apresentar um cronograma atualizado das perfurações, segundo o texto da autorização. Só depois de delimitar a reserva a estatal poderá avançar para uma eventual etapa de produção comercial.