O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta semana um "Dia D Econômico" contra o Irã e ameaçou com "consequências econômicas tremendas" qualquer país que ofereça alívio financeiro ao regime iraniano. O Brasil, que ampliou o comércio com o país em 15% neste ano, está entre os possíveis alvos.

"Qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam qualquer tipo de tábua de salvação ao Irã enfrentará consequências econômicas tremendas", disse Trump.

O anúncio ocorre dias depois de o Irã prometer uma resposta "devastadora" aos EUA, em meio à tensão no Oriente Médio.

Os números do comércio Brasil-Irã

No primeiro semestre, o comércio entre os dois países somou US$ 1,37 bilhão, alta de 15% sobre o mesmo período de 2025. As exportações brasileiras passaram de US$ 1,16 bilhão para US$ 1,34 bilhão.

O Brasil vende principalmente soja, farelo de soja e milho ao Irã. Em troca, compra nozes, peças aeroespaciais, drones e medicamentos.

O país já enfrenta duas tarifas dos Estados Unidos aplicadas em julho, de 25% (sob alegação de práticas comerciais injustas) e 12,5% (por suposta falha no combate ao trabalho forçado).

Um pacote de sanções dos EUA contra a Rússia, que mira países importadores de petróleo, urânio e gás natural russos, é citado como possível modelo para novas medidas contra quem comercia com o Irã.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chamou a medida de Trump de "terrorismo econômico".