O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) gastou R$ 2.326.132,44 em 40 dias de campanha ao governo do Distrito Federal antes de o TSE barrar sua candidatura nesta quinta-feira (24/9). Do total, R$ 1.321.537,34 foram para militância e mobilização de rua.

A média diária de gastos chegou a R$ 58.153,31 enquanto Arruda ainda fazia campanha, mesmo com a elegibilidade em disputa na Justiça. O TSE rejeitou por 5 votos a 2 o recurso contra a decisão do TRE-DF, que barrou a candidatura por unanimidade.

Depois da militância, os maiores gastos de campanha foram criação e impulsionamento de conteúdo na internet: R$ 203.998 em páginas e R$ 170 mil em impulsionamento, R$ 373.998 no total.

Arruda foi o segundo que mais recebeu verba partidária entre os candidatos ao GDF. O PSD encaminhou R$ 3 milhões a ele, atrás apenas dos R$ 6,9 milhões que a governadora Celina Leão (PP) recebeu do União Progressista.

O caixa maior não bastou: foi a condenação na Justiça, não a disputa nas urnas, que tirou Arruda da corrida.

Por que o TSE barrou a candidatura?

O TSE manteve a candidatura indeferida porque Arruda soma sete condenações em segunda instância por improbidade administrativa dolosa, na Operação Caixa de Pandora. Foi relator o ministro Dias Toffoli, acompanhado por quatro dos sete ministros da Corte.

A defesa argumentou que as condenações vêm de fatos conexos e que deveria valer o teto de oito anos de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa para casos ligados entre si.

"A condenação mais recente permanece incólume e gera prazo de inelegibilidade próprio e, por si só, é suficiente para impedir o registro de candidatura de José Roberto Arruda", escreveu Toffoli. Só os ministros Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha divergiram.

Mesmo barrado, o nome de Arruda vai aparecer na urna eletrônica em 4 de outubro. Os equipamentos já estavam lacrados com a lista de candidaturas. Os votos recebidos por ele serão nulos e excluídos da apuração, sem repasse a outro nome da chapa.

Arruda também perdeu o acesso ao fundo eleitoral e ao horário gratuito de propaganda, e não pode indicar substituto na chapa.

O que acontece agora

Com Arruda fora, seguem nove chapas registradas para a disputa ao governo do DF, incluindo a governadora Celina Leão, que tenta a reeleição, e Leandro Grass (PT), hoje um dos principais adversários dela.

Arruda ainda precisa prestar contas ao TSE sobre o dinheiro já gasto na campanha impugnada. O processo segue em análise na Justiça Eleitoral.

Antes da decisão do TSE, Arruda já vinha mantendo a campanha mesmo com a candidatura contestada.

A eleição no DF ocorre em 4 de outubro.