A governadora Celina Leão (PP) subiu de 51% para 53% dos votos válidos na disputa pelo governo do Distrito Federal entre 24 de setembro e 1º de outubro. No mesmo período, o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) teve a candidatura barrada pelo TSE.

Leandro Grass (PT), segundo colocado, recuou de 27% para 26% no mesmo levantamento Datafolha. Paula Belmonte (PSDB) subiu de 9% para 10%, e Ricardo Cappelli (PSB) caiu de 6% para 3%, a maior queda entre os candidatos na última semana.

Se os eleitores de Arruda tivessem migrado para o segundo colocado, Grass teria crescido, não recuado. O retrato mais provável é uma dispersão de votos entre indecisos e os candidatos menores, sem um único beneficiário claro.

O TSE rejeitou a candidatura de Arruda em 24 de setembro, por 5 votos a 2, citando as condenações na Operação Caixa de Pandora. Seguiram o relator, Dias Toffoli, os ministros André Mendonça, Kássio Nunes Marques, Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior.

Divergiram os ministros Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques.

Arruda decidiu não recorrer e, barrado também pelo TRE-DF por unanimidade semanas antes, pediu aos eleitores que não votassem nele.

A exclusão também mudou a disputa pela vice-governança. O DF passou a ter 9 candidatos a vice-governador depois da saída de Arruda.

A Caixa de Pandora apurou um esquema de corrupção no governo do DF entre 2006 e 2009, com entregas de dinheiro gravadas em vídeo. A empresa Call Tecnologia pagava propina a autoridades para manter contratos irregulares, segundo a investigação da Polícia Federal.

"O registro de candidatura envolve uma verificação dinâmica de requisitos constitucionais e legais", afirma o especialista em direito eleitoral Pedro Horta. Para ele, o TSE age como guardião da integridade eleitoral para evitar irregularidades na disputa.

Celina pode vencer só no 1º turno?

Com 53% dos votos válidos, Celina já ultrapassa o patamar de 50% que garante vitória sem segundo turno. Em simulação de 2º turno, ela venceria Grass por 55% a 32% dos votos totais.

O Datafolha ouviu 910 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de 3 a 4 pontos percentuais conforme o recorte, e nível de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pela Globo e pela Folha de S.Paulo e está registrado no TSE sob os números DF-00905/2026 e BR-06769/2026.

Em agosto, outra pesquisa já havia mostrado Celina e Arruda tecnicamente empatados, cenário que desapareceu com o barramento dele pela Justiça Eleitoral.

O que falta decidir no DF

Com a saída de Arruda, a disputa pelo governo do DF perdeu um dos nomes mais conhecidos do eleitorado desde os anos 2000. A corrida não ficou mais disputada. Ficou mais concentrada em torno de Celina.

A pergunta que o resultado de domingo (4) deve responder é se a fragmentação do campo que se opõe à governadora é grande o bastante para levar a disputa a um segundo turno.