A Anthropic atualizou a política de uso do Claude para proibir "abuso verbal prolongado" contra o próprio modelo de inteligência artificial. A mudança, anunciada em 8 de outubro, também aperta regras sobre eleições, armas e vigilância, e entra em vigor em 12 de novembro.

É a primeira revisão da política em mais de um ano. Segundo a empresa, a regra vale só em "casos extremos", quando o usuário age de forma repetidamente cruel com o modelo, sem propósito identificável.

O que exatamente fica proibido?

A proibição mira interações de hostilidade persistente e sem motivo, não frustração comum, discordância do usuário ou pesquisa sobre o modelo. A própria Anthropic exclui explicitamente "temas criativos sombrios" e testes do escopo da regra.

O mecanismo de aplicação já existia: desde agosto, o Claude foi treinado para encerrar conversas que a empresa classifica como "persistentemente nocivas ou abusivas". A nova política formaliza essa prática como regra de uso, não apenas comportamento do modelo.

"A capacidade de Claude de encerrar essas interações continuará sendo o principal mecanismo de aplicação da política", diz a empresa.

A mesma atualização mexe em eleições e vigilância. A Anthropic removeu a proibição geral de direcionamento personalizado a eleitores, passando a permitir atividades como preparar informação eleitoral em diferentes idiomas. Continua proibido espalhar desinformação, se passar por candidato ou suprimir o comparecimento às urnas.

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No Brasil, o tema já tem regra própria: o TSE definiu o que permite e proíbe sobre IA nas eleições de 2026, incluindo o uso de ferramentas como o Claude por candidatos e campanhas.

Também ficam mais claras as proibições sobre softwares de armas e vigilância sem consentimento. Monitoramento de fraude e pesquisa jornalística seguem liberados.

A Anthropic evita a palavra "bem-estar" no texto da política, mesmo depois de executivos da empresa discutirem publicamente, em outras ocasiões, a possibilidade de algum tipo de experiência em modelos de IA.

Existe consenso sobre isso?

Não. Em fevereiro, o próprio presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, disse publicamente ter incerteza sobre a existência de consciência em modelos de IA.

Já o consultor Jackson Stakeman, da Sparq, vê a discussão como armadilha: "A consciência é uma armadilha. Esses sistemas refletem aquilo que colocamos neles", afirmou.

A atualização também chega num momento de escrutínio maior sobre a Anthropic: a FTC ampliou a investigação sobre a empresa e a OpenAI após ataques de IA no mês passado.

O ponto em aberto

A Anthropic formalizou uma proteção ao modelo sem declarar, no texto da política, que acredita em algo a proteger. O fundador da empresa já havia defendido regulação da IA em evento no Vaticano.

A empresa não precisou resolver o debate filosófico sobre consciência para decidir, na prática, que certas interações não são mais permitidas.