Uma revisão de 38 estudos clínicos, publicada nesta semana na revista científica Food & Function, associa o consumo de maçã a benefícios para a saúde cardiometabólica e intestinal. A análise reúne evidências sobre controle da glicemia, vasos sanguíneos e microbiota intestinal.
O trabalho foi feito por pesquisadores da Itália.
Os efeitos descritos são antioxidantes e anti-inflamatórios, com repercussão no endotélio, a camada de células que recobre o interior das artérias. Essa ação favorece a função vascular, segundo os estudos reunidos na revisão.
A pectina, fibra solúvel presente na maçã, ajuda a reduzir a absorção de colesterol no intestino e contribui para diminuir o LDL, o chamado colesterol ruim. A casca da fruta concentra mais de 80% de todos os flavoides encontrados nela.
O consumo também está associado a mais bifidobactérias, um tipo de bactéria benéfica do intestino. Para entender o mecanismo, vale olhar para outro estudo: a microbiota intestinal já havia sido associada a desempenho físico em pesquisa anterior.
O estudo chega na mesma semana em que o Brasil colheu a maior safra de maçã da história e quadruplicou a exportação da fruta.
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Quais substâncias da maçã fazem esse efeito
Os principais responsáveis são os polifenóis, com destaque para três compostos: quercetina, catequinas e proantocianidinas, segundo a pesquisadora Renata Carnauba, da USP, que estuda o tema.
Esses compostos já aparecem em outras pesquisas sobre alimentação e prevenção de doenças crônicas. Um refogado de cebola, alho e tomate também foi associado à prevenção de diabetes, por mecanismo parecido de compostos bioativos.
A revisão, porém, não traz número fechado de quanto o LDL ou a glicemia caem, nem uma quantidade diária recomendada de maçã. É uma associação, não uma prescrição médica.
A nutricionista Isis Helena Avelino, do Hospital Israelita Albert Einstein, pondera: "Entre os 38 estudos, há diferenças quanto às populações participantes e quantidades consumidas, o que exige cautela antes de estabelecer conclusões definitivas".
O ponto em aberto
A revisão reúne associação, não causa comprovada isoladamente: os 38 estudos variam em população e quantidade consumida, como alerta a própria nutricionista do Einstein. Falta, ainda, um número fechado de dose diária que sustente uma recomendação clínica.































