O médico oncologista Drauzio Varella, autor de Estação Carandiru, criticou neste sábado (24) a promessa do senador Flávio Bolsonaro (PL) de transformar o SUS em "padrão Einstein". Ele chamou a proposta de enganar o povo e declarou voto publicamente pela primeira vez.
O que Drauzio criticou?
Sem citar Flávio nominalmente, Drauzio disse que um candidato promete "dar um Einstein para cada brasileiro" em seu eventual governo.
"Isso é enganar o povo, é fazer o povo de idiota. Nenhum país do mundo consegue dar o padrão Einstein para sua população", escreveu o médico nas redes sociais.
"O SUS tem tudo, não precisa inventar nada. Temos a atenção básica com os agentes comunitários que vão de porta em porta", completou Drauzio, que nunca havia declarado voto publicamente porque preferia manter a atividade médica longe das disputas partidárias.
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O que Flávio propõe para o SUS?
No debate da Band, em 18 de outubro, Flávio prometeu levar o padrão Einstein ao SUS: "aquele mesmo atendimento com tecnologia, com médicos, com hora marcada, sem fila, que tem na rede privada".
Para a Saúde, ele afirmou ter convidado Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, em eventual governo. Defende também um prontuário eletrônico único por CPF, integrando redes municipal, estadual, federal e privada, além de telemedicina e inteligência artificial.
No mesmo debate, marcado por dados errados dos dois lados, Lula rebateu: "Será que ele quer privatizar o SUS? É isso que eu entendi".
O que dizem os especialistas em saúde pública?
Gonzalo Vecina Neto, um dos criadores do SUS e primeiro presidente da Anvisa, chamou a comparação de equivocada: "Uma coisa é o que o Einstein faz, um hospital privado que atende quem o busca.
Outra coisa é o SUS, um sistema de saúde universal que atende 100% da população", disse Vecina Neto.
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Para a sanitarista Marília Louvison, da Faculdade de Saúde Pública da USP, é matematicamente impossível elevar o padrão assistencial enquanto a campanha promete cortes bilionários de despesas.
O próprio Lottenberg já disse que não colocaria mais recursos no SUS sem antes mudar a forma de alocar o que já existe, fala que depois classificou como descontextualizada.
Até a publicação desta reportagem, a campanha de Flávio Bolsonaro não havia respondido publicamente às críticas de Drauzio Varella.































