O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta sexta-feira (25) que pessoas de menor renda são 3 vezes mais vulneráveis ao vício em apostas. A declaração veio durante o anúncio do governo Lula (PT) de medidas para proibir as bets no Brasil.
Padilha já vinha alertando sobre o tema. Semanas antes do anúncio, ele defendeu tratar as apostas on-line como um problema de saúde pública, comparável ao cigarro.
"As pessoas não só perdem o dinheiro, elas perdem o controle sobre a sua própria vida", disse Padilha.
Segundo o ministro, 35% das pessoas que recorreram à plataforma de autoexclusão afirmaram ter perdido o controle sobre as apostas. Mais de 1,3 milhão de pessoas já usaram o serviço, que bloqueia o CPF para apostas e impede publicidade do setor.
Do total, 51% relacionaram o pedido de autoexclusão diretamente a problemas de saúde.
Outras 170 mil pessoas acessaram o Meu SUS Digital para fazer autoteste e buscar atendimento pelos efeitos das apostas. O serviço oferece consultas remotas com psicólogos e psiquiatras.
A ludopatia, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, é a condição que afeta 10,8 milhões de brasileiros que jogam de forma arriscada ou problemática.
Embora homens sejam maioria entre os apostadores, mais de 60% de quem procura o teleatendimento são mulheres. Parte busca ajuda por causa de filhos, maridos ou outros familiares envolvidos com apostas.
Padilha afirmou que o impacto também atinge mulheres que não apostam, pelo comprometimento da renda familiar e por conflitos domésticos ligados ao vício de parentes.
O efeito do vício já aparece fora da esfera da saúde. Um levantamento mostrou que ele eleva em 59,8% os afastamentos no trabalho, segundo empresas ouvidas na pesquisa.
A fala de Padilha ocorreu no mesmo evento em que Lula assinou a medida provisória que proíbe as bets no país. Apostadores têm até 5 de outubro para sacar o saldo das plataformas.


































