A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde de 366,6 milhões de toneladas de grãos para 2026/27, mas o Brasil tem capacidade para armazenar apenas 233,8 milhões, segundo dados do IBGE. A diferença chega a 133 milhões de toneladas.
A estrutura atual equivale a 64% do volume a ser colhido, mas isso não significa grão sem destino. Como as colheitas ocorrem em épocas diferentes pelo território, cada armazém recebe mais de uma safra por ano. A distribuição, porém, é desigual pelo país.
"A falta de armazenagem é uma questão direta de renda", afirma Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso.
Segundo ele, ter silo na propriedade permite ao produtor "escolher quando vender", em vez de negociar no pico da colheita, quando os preços estão mais baixos.
Apenas 16% da armazenagem brasileira é feita dentro das próprias fazendas, segundo Fernando Caprioli, diretor comercial da AGI Brasil, empresa do setor de silos. "A armazenagem dá ganhos de produtividade, mas também ganhos econômicos na redução de perdas", diz.
O país soma hoje 9.668 unidades armazenadoras agrícolas.
Mas a capacidade de armazenagem cresceu apenas 1,1% no segundo semestre de 2025. As regiões de expansão agrícola mais recente têm infraestrutura de silos desproporcional à produção, o que aumenta a distância até um armazém.
O gargalo logístico se soma a um cenário de margem apertada para o produtor. A safra recorde de 2025/26, de 361,7 milhões de toneladas, já conviveu com o pior momento de margem do produtor nos últimos anos.
Entre as saídas em teste estão sistemas de silo com controle de temperatura instaláveis na propriedade e linhas de financiamento via fundos de investimento que já batem recorde no financiamento do agro.
Soluções temporárias como o silo-bag podem comprometer a qualidade do grão para venda comercial.
A infraestrutura de silos também tem um custo humano. No mês passado, a TV Sim Brasil mostrou por que os silos de grãos matam mais de 6 trabalhadores por mês no Brasil, risco que cresce junto com a pressão para escoar a safra recorde.





























