A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, negou nesta quarta-feira (23) que o governo americano queira interferir nas eleições brasileiras de 2026, em entrevista exclusiva à CNN Brasil, um dia após o presidente Lula citar o secretário de Estado Marco Rubio.
"Trabalhando assim dentro de outros países sobre eleições não é parte da nossa estratégia", afirmou Roberson. Segundo ela, os EUA estão focados em suas próprias prioridades: segurança, prosperidade e paz.
"Acreditamos que a eleição, como um Brasil, um país soberano, independente, queremos ver eleições livres, transparentes e vamos ver com os brasileiros o resultado", declarou a porta-voz, ao ser questionada sobre uma eventual preferência do governo Trump por candidato.
Segundo ela, a decisão sobre quem será o próximo presidente cabe exclusivamente ao povo brasileiro. A negativa chega dias depois de o PT pedir ao STF a investigação sobre uma suposta interferência dos EUA a favor de Flávio Bolsonaro.
A declaração respondeu a acusações do próprio Lula, que disse estar "muito preocupado com o Marco Rubio" e afirmou haver "indícios de interferência, de uso de inteligência artificial" no processo eleitoral.
O governo Lula já havia identificado o que considera interferência dos EUA em quatro frentes da eleição.
"Nunca falamos nada assim de interferência", rebateu Roberson. "A eleição é algo que o Brasil está fazendo independentemente dos Estados Unidos", completou.
O que a Abin apontou sobre os EUA
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já havia classificado como "crítico" o risco de interferência americana no processo eleitoral, como mostrou a TV Sim Brasil, em relatório enviado à Presidência, ao TSE e ao Ministério da Justiça no fim de agosto.
O relatório aponta o secretário de Estado, Marco Rubio, como alvo de atenção especial. Segundo a Abin, ele atribuiu a Lula a responsabilidade pelas tarifas impostas ao Brasil, e a personalização do embate pode interferir no debate político brasileiro.
Um estudo identificou anúncios políticos falsos gerados por IA, financiados nos Estados Unidos e direcionados ao público brasileiro. Segundo o levantamento, divulgado em setembro, os anúncios analisados foram bloqueados antes de serem publicados.
O que acontece agora
Roberson disse que os Estados Unidos vão trabalhar com o próximo governo brasileiro independentemente do resultado das urnas, e cobrou medidas mais agressivas contra o PCC e o Comando Vermelho.
O caso deve seguir repercutindo às vésperas da eleição. Outros políticos, como o governador da Califórnia, já disseram temer a interferência americana no pleito brasileiro.





























