O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deflagrou nesta segunda-feira (28) uma operação contra a cúpula da torcida organizada Bamor, do Esporte Clube Bahia, em Salvador. Nove pessoas foram presas, entre elas um policial militar, por suspeita de tortura dentro da sede da organizada.

Segundo o MP-BA, a operação apura casos de tortura física e psicológica na sede da Bamor, ocorridos em julho deste ano. Pelo menos duas pessoas teriam sido obrigadas a confessar supostas irregularidades sob agressão.

As vítimas teriam sido ameaçadas e sofrido sufocamento e afogamento, segundo as investigações. A tortura teria durado horas e envolvido o uso de tacos de beisebol, martelo e faca.

A investigação também apura roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa. A operação reúne o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a Secretaria de Segurança Pública e as polícias Civil e Militar. Equipes do Deic e do Denarc também participam.

Mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos em Salvador nesta manhã.

Quem é a torcida organizada Bamor

A Bamor é a torcida organizada do Esporte Clube Bahia, fundada em 12 de agosto de 1978 por estudantes do Colégio Marista. Hoje reúne mais de 7 mil sócios e ocupa a arquibancada norte da Arena Fonte Nova.

Em pesquisa Ipsos Marplan de 2007, a Bamor foi eleita a 3ª torcida mais lembrada do país. Ficou atrás só de Gaviões da Fiel e Torcida Jovem do Flamengo, o que dimensiona o porte da organizada hoje sob suspeita.

O MP-BA já havia mobilizado o Gaeco em outras operações de peso no estado, como a que denunciou um vereador e mais 27 pessoas por tráfico de drogas.

Casos de violência ligada a torcidas organizadas também não são raros no país: em junho, o Ministério Público de São Paulo denunciou ex-líderes da Mancha Alviverde por ameaças à presidente do Palmeiras.

Em setembro, a PRF apreendeu 52 barras de ferro que seriam usadas em briga de torcidas em Belo Horizonte.

A Bamor ainda não se manifestou sobre a operação, segundo a CNN Brasil. O espaço segue aberto para posicionamento, e a apuração agora recai sobre quem comandava uma das torcidas mais numerosas do país.