O Flamengo divulgou nota nesta sexta-feira (25) criticando a Medida Provisória que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve assinar contra as bets. O clube afirma que a proibição não elimina o jogo e ainda ameaça investimentos e empregos do esporte brasileiro.
O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar.
A frase está em nota publicada pelo clube nas redes sociais nesta sexta.
Quanto o futebol pode perder?
O presidente do Flamengo, Eduardo Baptista, disse ao Metrópoles que o ecossistema do futebol brasileiro pode perder entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões no ano que vem, caso a proibição avance.
"Eu estimo que o ecossistema do futebol possa perder entre R$ 2,5 e R$ 3 bilhões no ano que vem. E isso em um período tão curto, as empresas estão fazendo seus orçamentos agora", disse Baptista.
O que diz o governo
Lula relaciona a proibição ao combate ao vício em jogos e ao endividamento das famílias, apontado em pesquisas como uma das causas da desaprovação ao governo. O anúncio da MP ocorre nesta sexta, em São Paulo.
Uma pesquisa da AtlasIntel encomendada pela Bloomberg mostra que 75% dos entrevistados apoiam a proibição das bets no Brasil, contra 17% que discordam.
Não é a primeira reação do clube: em 17 de setembro, o Flamengo já havia assinado, ao lado de outros nove clubes e das federações Paulista e Carioca, um manifesto contra o fim das bets no futebol.
À época, o texto em discussão mirava banir só os cassinos online, mas a CNN Brasil informou nesta sexta que um veto total também está sendo avaliado pelo governo.
O governo já havia justificado a medida com dados do SUS: os atendimentos mensais por dependência de jogo saltaram de 600 para 100 mil, com mulheres respondendo por 55% da procura por tratamento.
O texto foi discutido internamente por semanas: já em 17 de setembro, uma reportagem mostrava por que o governo ainda hesitava em editar a MP.
O que acontece agora
A MP tem força de lei assim que publicada no Diário Oficial da União e vale por 60 dias, prorrogáveis por mais 60. Dentro desse prazo, o Congresso precisa aprovar o texto, ou a medida perde validade e a regra anterior volta a valer.
O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável já informou que vai recorrer à Justiça caso a proibição seja confirmada. A publicação da MP está prevista para nesta sexta-feira, após discurso de Lula no Recife.





























