O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve assinar nesta sexta-feira (25) uma Medida Provisória que restringe as bets no Brasil. Horas antes, no Recife (PE), ele repetiu as críticas ao setor, ligando o jogo ao endividamento e à saúde das famílias.
Tem muita gente doente por causa do jogo. Muita gente endividada. E eu quero dizer pra vocês, eu vou acabar com as bets. O dinheiro do jogo é para comprar comida para as crianças.
Lula fez a declaração nesta sexta durante agenda de campanha no Recife, segundo a CNN Brasil.
"Não é correto a gente gastar o que não tem pra tentar ganhar o que não existe. Não dá pra ficar acreditando em mentira", completou o presidente, no mesmo discurso.
Segundo a CNN, o texto da MP deve trazer uma proibição geral das plataformas de apostas, alcançando tanto as apostas esportivas quanto os cassinos online, categoria que inclui jogos como o chamado "tigrinho".
O anúncio está marcado para as 17h desta sexta, em evento na Avenida Paulista, em São Paulo, segundo o Brasil Escola, que já mostrava a hesitação do governo sobre o tema.
A medida é criticada pelo adversário na disputa presidencial Flávio Bolsonaro (PL), que classificou o momento do anúncio como eleitoreiro.
Em ato na Polícia Militar do Rio, ele disse que Lula tem "dois filhos que fizeram muito mal ao Brasil: o Lulinha e o Tigrinho", associando o presidente à legalização do cassino on-line.
"É mais uma vez uma atitude populista, hipócrita, eleitoreira. Ninguém garante que, depois da eleição, ele libere tudo de novo, porque está jogando tudo nas eleições", disse Flávio Bolsonaro.
O que está em jogo para os clubes de futebol?
Está em jogo mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios. De 13 a 14 dos 20 clubes da Série A do Brasileirão têm hoje uma casa de apostas como patrocinadora master da camisa.
| Clube | Patrocinador | Valor anual |
|---|---|---|
| Flamengo | Betano | R$ 268,5 milhões |
| São Paulo | Superbet | R$ 113 milhões |
| Corinthians | Esportes da Sorte | R$ 103 milhões |
| Palmeiras | Sportingbet | R$ 100 milhões |
Os quatro contratos somados já passam de R$ 584 milhões por ano, e uma proibição total tiraria dos clubes justamente o patrocinador que hoje paga mais pela camisa.
Foi por isso que os clubes publicaram, em 17 de setembro, um manifesto coletivo contra o fim das bets, pedindo mais fiscalização em vez de proibição.
Lula rebateu o manifesto e disse que os clubes vão precisar buscar outras formas de financiamento. O governo estuda linhas de crédito com juros mais baixos para ajudar os times afetados pela mudança.
O que acontece agora
Depois de assinada, a MP passa a valer de imediato, mas tem prazo de 60 dias para ser votada pela Câmara e pelo Senado, prorrogável por igual período. Uma Comissão Mista de 12 senadores e 12 deputados analisa o mérito e a urgência do texto.
Sem aprovação do Congresso dentro do prazo, a MP perde a validade. O governo ainda avalia, junto ao anúncio, o desenho das linhas de crédito para os clubes de futebol mais dependentes do patrocínio das bets.





























