A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e a Astral (Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas) afirmaram que um problema técnico no processamento da mídia tirou o áudio da propaganda de Flávio Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira (12).

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a falha.

Segundo nota conjunta das duas entidades, o vídeo da campanha de Flávio foi recebido "em perfeitas condições". A falha ocorreu depois, durante o preparo do material para exibição. O erro foi comunicado ao TSE, que abriu apuração.

O tribunal atribuiu a ocorrência a uma falha na preparação das propagandas para o bloco das 13h desta segunda. Os áudios dos programas de Flávio e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foram carregados corretamente na finalização das mídias.

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A equipe técnica corrigiu o problema a tempo de exibir a peça de Lula com som normal. A de Flávio já havia ido ao ar muda.

Quem é o responsável pela falha?

Ninguém assumiu sozinho o erro. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) afirmou que a falha não teve origem na estatal e atingiu igualmente todas as emissoras que exibem o horário eleitoral gratuito.

Em nota, a EBC disse que "toda a operação de exibição da propaganda presidencial é de responsabilidade do pool de emissoras", formado nos termos do artigo 64 da Resolução TSE nº 23.610/2019.

As campanhas de Lula e Flávio fazem o upload dos vídeos diretamente no site administrado pelo pool, o grupo único de emissoras públicas e privadas constituído com o TSE. O modelo de transmissão compartilhada já é usado há diversas eleições.

Antes das manifestações oficiais, a campanha de Flávio Bolsonaro reagiu em tom de desconfiança. Disse que o material enviado estava com áudio normal e havia passado por conferência prévia, e reclamou que a propaganda do adversário havia funcionado sem problemas.

Eles acham que vão calar minha voz. Mas não vão calar, não vão conseguir, não adianta.

A frase foi dita por Flávio Bolsonaro em vídeo publicado antes da nota técnica do TSE e das emissoras. A explicação do tribunal e das associações, porém, aponta falha operacional conjunta, não ação deliberada contra um dos candidatos.

O mesmo bloco das 13h afetou, por alguns minutos, também o processamento da peça de Lula.

O episódio ocorre na mesma semana em que o TSE já havia mandado Flávio tirar do ar vídeos feitos com inteligência artificial sobre Lula e facções. A propaganda de Lula, por sua vez, foi suspensa duas vezes no mesmo fim de semana.

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A transmissão do horário eleitoral gratuito segue o modelo vigente desde o início da propaganda, em agosto, com blocos diários nos dois turnos.

O que acontece agora

O TSE informou que o arquivo de áudio já foi corrigido. O programa de Flávio pode ser reexibido a pedido da campanha, conforme as regras do horário eleitoral gratuito. Nenhuma data havia sido divulgada até o fechamento desta apuração.

A representação da campanha de Flávio já havia sido protocolada na Justiça Eleitoral antes da nota conjunta de Abert e Astral. As emissoras afirmam aguardar o posicionamento do TSE sobre o caso.