A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24) mostra Lula (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro (PL), alta de um ponto do presidente ante a rodada anterior. No segundo turno simulado, os dois aparecem em empate técnico.

O placar do 2º turno é de 47% a 45%.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios, nos dias 22 e 23 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o levantamento, encomendado pela Folha e pela TV Globo, está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-00304/2026.

O resultado foi lido pela campanha de Lula como um alívio, depois de semanas de avanço de Flávio nas pesquisas anteriores. O ministro José Guimarães (Relações Institucionais) atribuiu a mudança à reação da militância.

O Datafolha mostra o crescimento do presidente Lula e a estagnação do nosso adversário que faz uma campanha baseada na mentira. Aprumamos a nossa campanha com chances de vitória no 1º turno

Disse Guimarães. Já o campo bolsonarista manteve o discurso de que Flávio ainda pode vencer no primeiro turno, apostando no voto útil de eleitores de outros candidatos de direita.

Um Brasil dividido por renda e religião

Os números nacionais escondem recortes bem mais desiguais do que o placar geral sugere. Entre quem ganha até dois salários mínimos, Lula tem 46% contra 32% de Flávio. Na faixa acima de cinco salários, a vantagem é de Flávio, com 43% a 33%.

A religião separa o eleitorado de forma parecida: Lula lidera entre católicos por 45% a 33%, enquanto Flávio tem 47% a 27% entre evangélicos. Nas duas faixas, a distância é maior que a margem de erro.

A geografia também pesa. Nas regiões metropolitanas, Lula vai a 42% contra 33% de Flávio, fora do empate técnico. Já no interior do país, os dois empatam com 38% cada, um cenário parecido ao que já o Datafolha havia mostrado por região em agosto.

Entre as mulheres, Lula lidera por 42% a 33%. Entre os homens, Flávio tem 39% contra 37% do presidente, dentro da margem de erro. Já nas cinco faixas etárias pesquisadas, os dois seguem tecnicamente empatados.

Enquanto os números eram divulgados, Flávio cumpria agenda de campanha no interior de Minas Gerais, com atos em Teófilo Otoni e Governador Valadares.

O que ainda separa os dois candidatos

A distância entre Lula e Flávio por renda (14 pontos entre quem ganha até dois salários mínimos) já é maior que a distância nacional entre os dois (4 pontos). O mesmo vale para a religião, onde a diferença chega a 20 pontos entre os evangélicos.

Faltam dez dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Até lá, o Datafolha deve divulgar novas rodadas, que dirão se essas distâncias por renda e religião aumentam ou diminuem.