Um levantamento da Folha de S.Paulo publicado nesta segunda-feira (7) posiciona os 29 partidos com representação na Câmara dos Deputados em um espectro que vai da esquerda à direita. Batizado de GPS Partidário, o estudo aponta o Novo como a sigla mais à direita e o PSTU como a mais à esquerda do Congresso.

Segundo o levantamento, a régua cruza cinco indicadores de comportamento real dos deputados: votos na Câmara, participação em frentes parlamentares, migração partidária, coligações eleitorais e doações de campanha.

A apuração reuniu 1.097 votações entre janeiro de 2023 e julho de 2026, além de 320 frentes parlamentares, 15,6 mil coligações e 1,1 milhão de doadores, cruzados com dados públicos do TSE e da Câmara dos Deputados.

Entre os 565 deputados que entraram na conta, a taxa de obediência às lideranças partidárias chegou a 91,5% dos votos no período. É o mesmo Congresso que aprovou cinco pautas de interesse do governo na semana passada e adiou a votação da escala 6x1.

Na régua da esquerda para a direita, o estudo separa as siglas em quatro blocos. PSTU e UP ficam na extrema esquerda, e PT, PSOL, Rede, PCdoB, PDT e PSB formam a esquerda.

No centro ficam MDB, PSD, Avante, União Brasil, PP e Republicanos. Já PL, Novo e DC compõem a direita.

Quem puxa cada lado no plenário

O levantamento também aponta os parlamentares mais alinhados a cada extremo. Julia Zanatta (PL-SC) é a mais à direita, com 71% de votos nesse campo, seguida por Gustavo Gayer (PL-GO), com 82%.

Do lado oposto, o padre João (PT-MG) é o mais à esquerda, com 92% dos votos alinhados a esse campo. Lenir de Assis (PT-PR) aparece na sequência, com 37%.

Trânsfugas e doações completam o mapa

A migração partidária também entra na conta. Do PT saíram 176 deputados no período: 23 foram para o PDT, 22 para o PSB e 12 cada para MDB, Rede e Republicanos.

O União Brasil teve o maior êxodo do levantamento: 763 deputados deixaram a sigla, 106 rumando para o PL, 76 para o Podemos e 75 para o Republicanos.

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No total do período, o PL foi quem mais recebeu trânsfugas, com 9% de todas as migrações mapeadas, seguido por Republicanos (8%) e MDB (7%).

O Novo, sigla mais à direita da régua, é o partido do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, hoje candidato a presidente. Na campanha, ele já defendeu fatiar a Petrobras em até cinco empresas para privatizar.

O PL, maior receptor de trânsfugas do período, é alvo de ação movida por Lula no TSE por suposto desvio de R$ 134 milhões do fundo partidário.

O critério de doações que entrou na régua da Folha também motivou outro pedido nesta segunda. Alckmin cobrou investigação sobre doações do Banco Master a Tarcísio de Freitas.

Uma sigla ficou de fora da régua. O PCO é o único dos 30 partidos registrados no TSE que a Folha não incluiu no GPS Partidário 2026.

É a terceira vez que a Folha aplica essa metodologia, adaptada de um modelo usado há 40 anos para medir o Congresso americano.

Segundo a reportagem, a posição relativa dos partidos mudou pouco entre as três edições, sinal de estabilidade num Congresso fragmentado em quase trinta siglas e com milhares de trocas de partido.