O Iraque chegou a um entendimento com os Estados Unidos para exportar petróleo por uma rota marítima alternativa ao Estreito de Ormuz, próxima a Omã, afirmou no domingo (8 de novembro) o chanceler iraquiano, Fuad Hussein, à Al Jazeera. O estreito está bloqueado desde março.
O bloqueio é por causa da guerra entre EUA e Irã.
Segundo Hussein, as perdas do Iraque com a guerra e a interrupção das exportações de petróleo chegaram a US$ 60 bilhões.
As exportações de petróleo do Iraque se recuperaram em outubro, depois de uma queda acentuada em setembro. Subiram para cerca de 3,5 milhões de barris por dia, ante 2,65 milhões em setembro, segundo autoridades do setor de energia iraquiano.
Por que o Estreito de Ormuz está fechado
O Estreito de Ormuz está fechado desde 4 de março, quando o Irã minou o canal durante a guerra com os Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro com ataques que miraram até o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
O bloqueio interrompeu cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo. A Agência Internacional de Energia chamou o episódio de maior interrupção de fornecimento da história do mercado global de petróleo.
No sul do Iraque, a produção de petróleo caiu mais de 70% desde o início da guerra, atingida por ataques iranianos contínuos. No campo de Zubair, em Basra, a produção recuou de cerca de 400 mil para 250 mil barris diários.
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O Iraque depende do Estreito de Ormuz para 90% da receita do orçamento estatal e para 90% das importações de alimentos, bens e remédios. Isso torna o país um dos mais afetados pelo bloqueio entre os vizinhos do Golfo.
A Arábia Saudita já usa uma rota alternativa parecida. O oleoduto Leste-Oeste, de 1.200 quilômetros e construído na guerra Irã-Iraque dos anos 1980, leva 7 milhões de barris por dia ao porto saudita de Yanbu, no mar Vermelho, sem passar por Ormuz.
O que acontece agora
Hussein também disse que o Tesouro dos Estados Unidos pediu ao Iraque que feche a maior parte dos postos de fronteira com o Irã, mantendo abertos só dois (um deles no Curdistão), como parte da pressão econômica sobre Teerã.
O Irã já ofereceu reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, caso os Estados Unidos aceitem suas condições, mas o entendimento do Iraque é com a rota alternativa, não com a reabertura do canal.
No mesmo fim de semana, um ataque a petroleiro matou um marinheiro perto de Ormuz, e o Brasil manteve o subsídio aos combustíveis para conter o repasse ao consumidor.
No Brasil, o fechamento de Ormuz já se refletiu no preço dos combustíveis. O petróleo Brent chegou a US$ 116,72 em outubro, alta que gerou pressão sobre o preço da gasolina no Brasil.






























