Um estudo da consultoria Systemiq projeta queda de cerca de 25% nas importações chinesas de soja até 2030, redução equivalente a 23,5 milhões de toneladas de demanda. A China é hoje a maior compradora da soja do Brasil, o maior exportador agrícola do mundo.
Segundo a Systemiq, a queda não vem só da disputa comercial entre China e Estados Unidos. O Plano Quinquenal chinês prioriza reduzir a dependência de alimentos importados, e a pecuária do país está migrando para uma alimentação animal mais eficiente.
Por que a China vai comprar menos soja
A China está trocando parte do farelo de soja na ração animal por aminoácidos sintéticos e proteínas derivadas de bactérias. A participação do farelo de soja na ração deve cair de 14,5% para menos de 10% até 2030.
"A redução projetada representa um risco estrutural maior do que a concorrência comercial com os EUA", disse Patrícia Ellen, da Systemiq.
A queda projetada equivale a praticamente toda a soja que os Estados Unidos venderam à China em 2024, ou a um terço do que o Brasil vendeu ao país no mesmo ano.
A fatia do Brasil hoje
Em 2026, o Brasil exportou quase 64 milhões de toneladas de soja à China, recorde da série, parte do caminho que deixou o país perto de se tornar o maior exportador agrícola do mundo.
Publicidade
A soja brasileira ainda paga tarifa de 3% para entrar na China, contra 13% da soja americana, vantagem que já foi tema de reportagem sobre a tarifa da soja no país.
Mesmo com a tarifa menor, a sinalização da Systemiq preocupa porque é estrutural. Sem nenhuma tarifa ou acordo novo, a China deve precisar de menos soja com o passar dos anos.






























