A Polícia Federal aponta que o advogado Willer Tomaz pagou para remover da internet 12 links que o relacionavam ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência no 2º turno. Documentos apreendidos mostram que ele pagou R$ 9 mil a uma empresa de reputação digital.
Uma planilha apreendida pela PF lista os 12 links apagados, segundo mensagens de Tomaz com um contato identificado como "Seu Nome Novo de Novo", empresa que anuncia serviços de proteção de reputação digital.
O preço inicial cotado era de R$ 1.000 por link, o equivalente a R$ 12 mil pelo pacote completo. Depois de negociar, Tomaz fechou por R$ 9 mil. Uma tentativa anterior de remoção, sem sucesso, já havia custado R$ 3 mil.
As reportagens apagadas mencionavam a amizade de Tomaz com Flávio Bolsonaro e cobriam a presença do senador em cassinos e reuniões com operadores de apostas em Las Vegas.
O pagamento mirava apagar da internet o rastro da relação entre os dois, a cinco dias do 2º turno.
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Por que a Polícia Federal investiga o caso
A PF e o Supremo Tribunal Federal (STF) apuram Tomaz e Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas esportivas. O caso tramita sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Entre as suspeitas está a de que Tomaz controla a Rede Loto, uma casa de apostas autorizada a operar no país. A Polícia Federal já mirava o setor antes: em setembro, prendeu o sócio da PixBet, casa de apostas que patrocinou o Flamengo.
Semanas antes de ser citado nesta investigação, o próprio Flávio Bolsonaro havia chamado a MP que proíbe as bets de "estelionato eleitoral" promovido pelo governo Lula.
É a mesma apuração que já levou o STF a investigar o próprio Flávio por suspeita de lavagem ligada ao INSS, dois dias antes de a PF revelar o episódio dos links apagados.
Tomaz nega irregularidades. Sua defesa diz que ele moveu uma ação judicial contra o Google para desindexar "conteúdos antigos e desatualizados", e não para apagar o nome de Flávio.
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A investigação é uma "pescaria probatória com fins eleitorais".
A frase é da defesa de Tomaz. Flávio Bolsonaro, por sua vez, chamou o inquérito de "fake news" quando sua existência veio a público.
O que acontece agora
A apuração sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas segue no STF, sob relatoria de Moraes, sem data prevista para conclusão.
O caso chega a público a cinco dias do 2º turno, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.





























