O Conselho de Justificação da Polícia Militar de São Paulo retoma nesta quarta-feira (30) o processo administrativo que pode expulsar o tenente-coronel Geraldo Neto. Ele está preso desde março, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, em fevereiro.

O tenente-coronel nega o crime e alega que a mulher cometeu suicídio no apartamento onde moravam, no Brás, região central de São Paulo. A perícia contesta essa versão, segundo o Ministério Público.

Segundo a Promotoria, Geraldo Neto matou a mulher e alterou a cena do crime para simular suicídio. A investigação aponta que ele teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e modificado o local da morte.

Coronéis da Polícia Militar reunidos em formação
Reunião do Conselho de Coronéis da Polícia Militar (imagem de arquivo). Foto: Governo do Estado de São Paulo/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Mensagens extraídas do celular de Geraldo Neto mostram, segundo a Promotoria, um padrão de controle e violência doméstica. Em trechos das conversas, ele se autodenominava "macho alfa" e cobrava da mulher o comportamento de uma "fêmea beta", submissa e obediente.

Três policiais militares amigas de Gisele disseram, em depoimento, que o réu controlava as redes sociais da soldado, proibia o uso de maquiagem e perfume e a espionava. Segundo elas, a vítima planejava a separação depois de descobrir uma traição.

O que é o Conselho de Justificação?

O Conselho de Justificação é um processo administrativo que avalia se um oficial reúne condições morais e funcionais para permanecer na corporação. Instaurado em março pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, ele tramita de forma independente da ação criminal.

Ele pode perder a farda antes mesmo de ser julgado no processo criminal, já que os dois procedimentos correm em paralelo e um não depende do resultado do outro.

A sessão desta quarta é conduzida pelo coronel Carlos Alexandre Marques e prevê o depoimento de uma testemunha de defesa, por videoconferência, às 11h. Em nota ao Metrópoles, a defesa afirmou que vai acompanhar o ato "com serenidade".

Geraldo Neto também responde a processo criminal por feminicídio, já pronunciado para julgamento no Tribunal do Júri, sem data marcada. O caso ocorre no mesmo ano em que os feminicídios bateram recorde no Brasil, segundo dado oficial de 2025.

Não é o único caso recente de violência doméstica envolvendo policiais militares em São Paulo: em agosto, familiares de uma capitã da PM relataram histórico de agressões do marido em outro processo que corre na corporação.

Também neste ano, um policial militar matou o sogro a tiros durante discussão em Guarulhos e alegou legítima defesa, caso que também é investigado pela corporação.

O que acontece agora

Se houver tempo na sessão de hoje, Geraldo Neto pode ser interrogado pelo Conselho de Justificação; caso contrário, uma nova data será marcada. O colegiado pode decidir pela expulsão da corporação ou pela manutenção do tenente-coronel na ativa.