O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a propaganda eleitoral de terça-feira (29) para acusar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de desrespeitar católicos ao citar a CNBB na polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida. Flávio nega e diz ser alvo de desinformação.

"É inaceitável que um candidato desrespeite religiosos por interesses eleitoreiros. Quando um político ataca uma religião, todas as religiões são atacadas também", diz a nota lida no programa eleitoral de Lula, apresentada pela campanha petista como comunicado oficial.

A polêmica começou depois de Flávio dizer, no domingo (27), que integrantes da CNBB ajudaram a divulgar a história falsa de que ele planejava tirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.

O boato remonta a um projeto de lei apresentado por outro parlamentar há quase 20 anos e posteriormente arquivado.

Lula cumprimenta apoiadora em comício de campanha
Lula em comício de campanha (imagem de arquivo). Foto: Lula Oficial/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Lula recebeu imagens de Nossa Senhora em atos eleitorais em Fortaleza e em Belém, em dias consecutivos. Em Fortaleza, fez o sinal da cruz e disse que a santa seguirá como padroeira do Brasil "enquanto ele for presidente".

Em Belém, o ex-governador Helder Barbalho (MDB) presenteou Lula com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré. O presidente a exibiu ao público e disse que, enquanto estiver no cargo, ninguém vai "avacalhar com Nossa Senhora Aparecida".

Os dois principais candidatos ao Planalto disputam a mesma imagem religiosa na reta final da campanha: Flávio também exibiu uma foto da santa durante agenda de campanha em São Paulo.

A disputa por Nossa Senhora já dura uma semana.

O que dizem Flávio e a CNBB

Flávio nega que planeje retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida e diz ser alvo de campanha de desinformação. A campanha dele acionou o TSE para pedir a retirada de publicações que, segundo o senador, atribuem a ele uma posição que nunca defendeu.

A CNBB nega ter participado da divulgação do conteúdo contra Flávio e cobra do senador provas da acusação. Em nota, a entidade diz que "mentira não se combate a com outra mentira".

O mesmo programa citou outras bandeiras de Lula, como o fim da escala 6x1 e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Lula também citou a proibição das bets anunciada pelo governo federal na sexta-feira (25) e classificou a disputa: "Essa é minha última eleição e o meu último governo será o mais importante de todos".

O que acontece agora

A disputa segue em duas frentes: o TSE ainda não decidiu o pedido de Flávio para retirar as publicações sobre a padroeira, e a CNBB aguarda as provas que cobrou dele sobre a acusação de que ajudou a espalhar o boato.