Cinco compromissos entre 9 e 20 de novembro vão mexer com o bolso e com a diplomacia do Brasil: o Copom, a COP31, o prazo que os EUA deram sobre Flávio Bolsonaro, a Apec e a proposta americana sobre o tarifaço de 37,5%.
A ata do Copom sai na terça-feira (10 de novembro) e deve detalhar por que o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano na reunião de 4 de novembro.
A decisão interrompeu uma sequência de cinco cortes de 0,25 ponto iniciada em março, quando a taxa estava em 15%. No mercado, 39 das 75 instituições consultadas esperavam um novo corte, e 36 apostavam na manutenção.
Na quinta-feira (12 de novembro), o IBGE divulga o IPCA de outubro, com alta mensal estimada em 0,29% pelo Bradesco, puxada principalmente pelos alimentos. Nos Estados Unidos, o mesmo tipo de dado move o mercado na mesma semana.
O índice de preços ao consumidor (CPI) de outubro sai na terça-feira (10 de novembro), e o índice de preços ao produtor (PPI), na sexta-feira (13 de novembro).
O que o Brasil leva à COP31
O Brasil chega à COP31, em Antalya, na Turquia, entre a terça-feira (10 de novembro) e a quinta-feira (12 de novembro), para entregar a presidência da conferência ao país anfitrião.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca no primeiro dia, ao lado de 77 chefes de Estado e de governo confirmados.
A pauta central é um roteiro de transição dos combustíveis fósseis que já reúne a adesão de 115 países e 247 atores não estatais. O movimento nasceu na COP30, em Belém, e o governo tenta consolidá-lo antes de passar o bastão aos turcos.
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Por que o tarifaço pode ficar mais caro
O tarifaço dos EUA já soma 37,5% sobre uma lista de produtos brasileiros: 25 pontos por supostas práticas comerciais desleais e 12,5 pontos pela acusação de falhas no combate ao trabalho forçado.
O governo brasileiro espera receber uma proposta americana de negociação ainda esta semana. O grupo de trabalho bilateral foi criado em 30 de setembro, em Milwaukee.
A sobretaxa atinge hoje 3.958 produtos e US$ 10,8 bilhões em exportações, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). É alta frente aos US$ 6,6 bilhões que a tarifa afetava em julho, quando entrou em vigor, segundo a Agência Brasil.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, disse que o governo espera a proposta americana para negociar a redução da sobretaxa. O Brasil também levou a disputa sobre a base legal da medida à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O terceiro prazo da semana é jurídico-diplomático. Vinte e cinco deputados democratas dos EUA cobram, até a sexta-feira (13 de novembro), uma resposta por escrito do secretário de Estado Marco Rubio, liderados por Sydney Kamlager-Dove (Califórnia) e Dina Titus (Nevada).
Eles questionam o papel do governo americano na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e na concessão de visto a ele, e enviaram 15 perguntas ao Departamento de Estado.
As perguntas também querem saber se o Departamento de Estado sabia que o senador descumpriria o prazo da Justiça brasileira para entregar os passaportes, e pedem uma sessão de informações com a equipe do Congresso no mesmo prazo.
O caso ganhou nova camada de incerteza depois que a vitória democrata nas eleições de meio de mandato mudou a composição de forças no Congresso americano.
Na quarta-feira (18 de novembro) e quinta-feira (19 de novembro), a cúpula da Apec, em Shenzhen, na China, reúne as 21 economias do bloco, do qual o Brasil não faz parte, mas cujas decisões afetam o comércio exterior brasileiro.
Donald Trump e Vladimir Putin já confirmaram presença, e é cogitado um quarto encontro no ano entre o presidente americano e o chinês Xi Jinping.
O que acontece agora
O calendário segue até a sexta-feira (20 de novembro). O Departamento de Estado responde aos democratas até o dia 13, a ata do Copom sai no dia 10, e o governo aguarda a proposta dos EUA sobre o tarifaço após a Apec.






























