A safra de café arábica de Minas Gerais deve alcançar 33,4 milhões de sacas em 2026, segundo pesquisa do Sistema Faemg Senar apresentada nesta quarta-feira (9), em Varginha. O levantamento ouviu produtores em 269 municípios e estima volume cerca de 32,5% acima da projeção da Conab para 2025.
A primeira edição da Pesquisa Safra Café coletou dados em 5.155 propriedades rurais. Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), os municípios abrangidos representam aproximadamente 90% da produção estadual de arábica.
Os pesquisadores levantaram área cultivada, produtividade, andamento da colheita e grãos ainda nas lavouras. O tratamento estatístico teve respaldo da Universidade Federal de Lavras (UFLA), por meio de seu centro de inteligência em mercados.
A amostra inclui produtores atendidos pela assistência técnica do Senar e agricultores que não recebem esse serviço. À Itatiaia, a analista de agronegócio Ana Carolina Gomes explicou que a escolha buscou reduzir o viés da assistência.
As propriedades pesquisadas vão de áreas inferiores a dois hectares a unidades com mais de 100 hectares.
O que a comparação mostra
A comparação apresentada pela Faemg usa levantamentos de outras instituições, publicados em momentos diferentes. A nova projeção supera em 1,8% a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de maio e em 4,7% a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de março.
A alta de cerca de 32,5% toma como referência a estimativa da Conab para 2025. A Faemg estreia o levantamento agora e ainda não tem uma série própria para medir a evolução anual.
“Não é o número real, é uma estimativa”, afirmou Ana Carolina Gomes à Itatiaia. A analista explicou que a coleta alcançou lavouras em diferentes estágios da colheita, desde trabalhos ainda não iniciados até etapas mais avançadas.
Segundo os dados apresentados no encontro e relatados pela Itatiaia, o Sul de Minas concentra aproximadamente metade da produção mineira. A região responde também por cerca de 30% do arábica produzido no Brasil.
Como o levantamento pode ajudar o produtor?
O levantamento pode ajudar o produtor a planejar a produção e a comercialização, segundo Roberto Barata, diretor do Centro de Excelência em Cafeicultura. Ao Diário do Comércio, ele citou decisões sobre contratos futuros, negociação com cooperativas e armazenamento do café.
O Senar associa a pesquisa ao trabalho de assistência técnica. Durante o encontro, a diretora de Operações, Mônika Bergamaschi, informou que mais de 23 mil propriedades cafeeiras já foram atendidas pelo serviço, com 12.119 em atendimento.
O que acontece agora
A previsão apresentada por Barata ao Diário do Comércio é repetir a pesquisa a cada safra. O Sistema Faemg Senar também pretende ampliar a iniciativa para outros estados e espécies de café nos próximos anos.


























