A Força Aérea Brasileira enviou dois aviões KC-390 à Base Aérea de Manaus neste domingo (11) para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas. O Censipam registrou 1.380 focos de incêndio em dez dias, 271% mais que em 2025.

A operação aérea começa nesta segunda-feira (12).

As aeronaves pertencem aos esquadrões Zeus, da Base Aérea de Anápolis (GO), e Gordo, da Base Aérea do Galeão (RJ), mobilizadas pelo Comando de Operações Aeroespaciais. Uma transporta material de apoio; a outra opera o MAFFS, sigla do Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios.

O MAFFS despeja até 12 mil litros de água ou retardante por um tubo na porta traseira esquerda do avião, em voos baixos sobre o incêndio. Um reservatório em solo, com 22 mil litros, reabastece a aeronave entre uma descarga e outra.

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, sobrevoou áreas atingidas neste domingo antes da coletiva na Base Aérea de Manaus.

Mais grave do que eu imaginava.

Capobianco se referia ao que viu do ar. Uma parte dos focos deste ano está dentro de floresta preservada, e não apenas em pastagens que avançam para a mata, padrão mais comum em safras anteriores de queimada na região.

A escala do problema aparece na comparação histórica. O Inpe contou 5.771 focos de calor no Amazonas nos primeiros nove meses de 2026, 27% mais que todo o ano de 2025.

O recuo de 2025 foi passageiro. Em nove meses, 2026 já supera o ano anterior e se aproxima dos anos mais secos da década, mesmo sem chegar ao pico de 2024.

O avanço já vinha sendo monitorado: em agosto, a TV Sim Brasil mostrou por que as queimadas voltaram a subir no país depois do melhor mês da história para o indicador.

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O Censipam detalha onde o fogo se concentra neste início de outubro: a maior parte, 1.186 focos, está em áreas públicas; outros 246 ficam em assentamentos federais e 116 em terras indígenas.

O decreto estadual atribui o agravamento ao El Niño, fenômeno que o governo do Amazonas já monitorava desde junho.

A mobilização federal soma os dois KC-390 a quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Outros 290 bombeiros federais já atuavam no estado antes desse reforço.

São Paulo enviou à parte uma força-tarefa de 30 profissionais, entre 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil.

"Não vai faltar nada: equipamentos, veículos, homens, recursos, tudo o que for preciso será disponibilizado", disse o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.

O reforço chega dias depois de um atrito entre Brasília e Manaus. Na quinta-feira (9), o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, disse à Rede Amazônica que um pedido de apoio federal havia sido negado.

No sábado (10), Capobianco se reuniu com o governador Roberto Cidade para amenizar a divergência, pouco antes de o decreto estadual liberar o envio das aeronaves.

Em Manaus, a fumaça completou neste domingo o quarto dia seguido cobrindo a capital. Sensores do Selva, da Universidade do Estado do Amazonas, registraram qualidade do ar "péssima" em vários pontos da cidade.

Um deles marcou 216,6 microgramas por metro cúbico de material particulado pela manhã, quase nove vezes o limite de 25 microgramas considerado ar de boa qualidade. A Defesa Civil orientou o uso de máscaras.

O que acontece agora

As duas aeronaves da FAB iniciam a operação nesta segunda-feira (12), a partir da Base Aérea de Manaus. O Decreto estadual nº 55.751, que abriu os 36 municípios à emergência, vale por 180 dias.

A União já reconheceu a emergência por portaria publicada neste domingo.