O café arábica fechou a terça-feira (18) com alta de mais de 4% na Bolsa de Nova York, atingindo a maior cotação em mais de seis meses. O movimento reúne uma safra mais lenta no Brasil, estoques em queda e um terremoto na Colômbia.
A safra brasileira 2026/27 estava 90% concluída até 12 de agosto, abaixo dos 97% do ano passado e da média de 94% dos últimos cinco anos, segundo a consultoria Safras & Mercado. Só a colheita de arábica estava 86% concluída, também atrás dos 95% de um ano atrás.
O ritmo mais devagar limita a oferta e ajuda a explicar a alta. Some-se a isso os estoques de arábica na ICE, que caíram para o menor nível em quase três anos: 229.214 sacas. Já os estoques de robusta foram na direção oposta, para o maior patamar em 5,25 meses.
O que o terremoto na Colômbia tem a ver com isso
Os preços também reagiram a um terremoto de magnitude 7,4 que atingiu, na segunda-feira (17), as províncias de Caldas e Risaralda, na Colômbia, responsáveis por cerca de um quarto da produção colombiana. O país é o segundo maior produtor mundial de café arábica.
A Colômbia retomou parcialmente as exportações pelo porto de Buenaventura, principal via de escoamento do café colombiano, mas o tráfego portuário segue intermitente e limitado. Segundo a Asoexport, associação dos exportadores do país, o terremoto não chegou a danificar as instalações de processamento.
Nem tudo empurra o preço para cima
Do outro lado, o clima seco no Brasil tende a acelerar a colheita, o que pressiona os preços para baixo: a Somar Meteorologia registrou apenas 0,6 mm de chuva, 11% da média histórica, na semana até 16 de agosto em Minas Gerais, principal região produtora de arábica do país.
O Vietnã, maior produtor mundial de robusta, também pesa contra a alta. Suas exportações somaram 1,31 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 21,1% sobre 2025. A produção do país deve chegar a 1,76 milhão de toneladas na safra 2025/26, o maior volume em quatro anos.
Por fim, o USDA prevê para 2026/27 uma safra global recorde, alta de 6% sobre o ciclo anterior, puxada justamente pela melhora nas condições de cultivo no Brasil.
Um risco paira sobre essa conta. O El Niño, que o Centro de Previsão Climática dos EUA classificou como um dos mais fortes em 75 anos, pode atrasar as chuvas de setembro e outubro, período de floração do cafeeiro, e afetar a safra 2026/27 brasileira.


























