Chuvas volumosas e atípicas no inverno atrasaram a colheita do café no Sul de Minas e anteciparam a florada que vai gerar os frutos da safra de 2027. Até 24 de julho, a Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, havia colhido 58,3% da área, o pior índice para a época desde 2018.
A causa é o mesmo fenômeno: chuvas atípicas associadas ao El Niño mantiveram a umidade alta e atrasaram o trabalho no campo, segundo a Cooxupé.
Por que a florada antecipada preocupa
A florada fora de época é mais fraca e compete por energia da planta com a florada principal, que normalmente acontece entre setembro e outubro.
Segundo o professor José Donizeti Alves, da UFLA, isso deixa os frutos menores mais propensos a cair, o que pode reduzir a produtividade da safra de 2027.
Apesar do atraso, a Cooxupé avalia que peneira e rendimento da colheita de 2026 seguem dentro da média histórica. O engenheiro agrônomo Guilherme Vinícius Teixeira, da cooperativa, descreve o resultado como "uma safra boa", não a supersafra que chegou a ser prevista em junho.
Em junho, a colheita no Sul de Minas avançava com previsão de safra recorde para 2026. Em julho, o volume maior de café já havia derrubado o preço da saca de arábica para R$ 1.773 em Guaxupé.
Para os próximos 15 dias, a previsão é de mais chuva no Sul e no Sudeste do país, segundo o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima. Ele também não descarta bloqueios atmosféricos e seca em novembro, com mínimas elevadas.
O ciclo do café costuma equilibrar excesso de água em um ano com escassez no seguinte. É essa alternância que os produtores do Sul de Minas monitoram agora, de olho na safra que só chega às lavouras em 2027.


























