O presidente da China, Xi Jinping, propôs a criação de uma zona conjunta de inteligência artificial de código aberto para os países do Brics durante a 18ª cúpula do bloco, em Nova Délhi, na Índia, no fim de semana (12 e 13 de setembro). A proposta apoia o desenvolvimento e o uso compartilhado de grandes modelos de linguagem entre os membros.

Xi também anunciou outras quatro iniciativas: zonas econômicas especiais e portais inteligentes para facilitar o comércio, uma plataforma em nuvem para troca técnica na indústria digital, apoio a fábricas inteligentes e uma aliança para formar engenheiros e compartilhar talento científico entre os países do bloco. Pequim vai sediar o fórum de comércio de serviços do Brics no próximo ano.

O que isso significa para o Brasil

A Declaração de Nova Délhi, com 140 pontos, defende cooperação internacional para ampliar o acesso a recursos de IA, com atenção especial aos países do Sul Global, grupo que inclui o Brasil. O texto detalha aplicação da tecnologia em saúde, energia, indústria, finanças e educação, além de apoio a infraestrutura digital pública e a sistemas de IA mais eficientes em consumo de energia.

O Brasil foi representado na cúpula pelo chanceler Mauro Vieira, não pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, único líder entre os fundadores do Brics ausente do encontro, por estar concentrado na campanha à reeleição em 2026. A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do bloco, Dilma Rousseff, também participou da programação.

A declaração ainda liga o tema da IA aos minerais críticos, usados em chips e infraestrutura digital: o bloco defende que países com jazidas participem de etapas de maior valor agregado na cadeia produtiva, e não só exportem matéria-prima. Pesquisadores citados na cobertura da cúpula apontam que o documento ainda não traz instrumentos concretos para garantir essa transição.

A proposta chinesa surge em meio à fragmentação tecnológica global: o governo dos Estados Unidos mantém controles rígidos sobre a transferência de tecnologia avançada de IA, o que motiva o bloco a buscar uma via própria de desenvolvimento.