Um estudo da Zappts com 167 executivos de grandes empresas mostra que 55,1% das companhias brasileiras não têm mapeamento estruturado de ROI (retorno sobre investimento) em inteligência artificial. O índice subiu 24,5 pontos percentuais em um ano: em 2025, a mesma pesquisa apontava 30,6%.

O levantamento, batizado de Panorama da IA no Brasil 2026, ouviu executivos de tecnologia e inovação entre abril e julho. A margem de erro é de 7,6 pontos, com 95% de confiança. Apenas 19,8% das empresas medem o retorno da IA com clareza e regularidade.

O orçamento também é um ponto cego: 26,2% das empresas não têm verba definida para projetos de agentes de IA, e outras 19,5% disputam espaço dentro do orçamento tradicional de TI, sem recurso próprio.

"Agentes de IA precisam deixar de ser despesa difusa e ter orçamento próprio", disse Pablo Augusto, CEO da Zappts. Para o CTO Rodrigo Bornholdt, o problema mudou de natureza: "Segurança virou o novo gargalo porque autonomia avançou mais rápido que governança."

A falta de talento, principal barreira dois anos atrás, praticamente desapareceu da lista: caiu de mais de 60% para 3,2%. No lugar dela, a preocupação central passou a ser segurança no uso de agentes autônomos de IA, citada por 13,7% dos executivos.

Fase de adoção de agentes de IA nas empresas brasileiras, segundo a Zappts (2026)
FaseEmpresas
Fase intermediária, entre teste e escala48%
Ainda em projeto-piloto24%
Implementado em áreas específicas24%
Uso generalizado na empresa13,8%

Mesmo com a adoção avançando, a autonomia dos agentes segue restrita. Só 3,6% das empresas permitem que eles executem processos críticos sem supervisão humana, e 36,5% exigem aprovação humana para toda e qualquer ação.

O impacto sobre o quadro de funcionários é esperado por quase todas as empresas: 77,3% preveem mudanças nos próximos três anos. Boa parte pretende realocar e requalificar equipes, mas 27% vão congelar contratações e 21,6% preveem redução direta de posições.