O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai à Cúpula do Brics, que reúne líderes em Nova Délhi, na Índia, nos dias 12 e 13 de setembro, e ficará no Brasil fazendo campanha à reeleição. O país será representado pelo chanceler Mauro Vieira, que já está na capital indiana.

A ausência ocorre porque a cúpula cai num fim de semana reservado a atos de campanha no Sul do país. Fontes diplomáticas dizem que o único compromisso internacional que ele não vai cancelar antes da eleição é a Assembleia Geral da ONU, dia 22.

A cúpula acontece 22 dias antes do 1º turno, marcado para 4 de outubro. Mesmo fora do encontro, o Brasil mantém presença institucional: o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do Brics, é presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Dilma se reúne nesta sexta (11) com o russo Vladimir Putin para tratar do financiamento de projetos de interesse da Rússia no banco, segundo o assessor presidencial russo Yuri Ushakov.

A estratégia de Lula contrasta com a do senador Flávio Bolsonaro, seu principal adversário em pesquisas que apontam empate técnico no 2º turno. Enquanto o presidente reduziu viagens ao exterior para a campanha doméstica, Flávio tem usado agenda internacional como palanque.

Nas últimas semanas, o senador esteve no Bahrein e cumpriu agenda em Israel, onde se reuniu com o premiê Benjamin Netanyahu. Ele defende pragmatismo comercial e abertura de mercados, em contraponto ao discurso de Lula de fortalecimento do Brics e do Sul Global.

A política externa já havia entrado na campanha antes: em ato no Piauí, Lula rebateu declarações do presidente americano Donald Trump sobre a eleição brasileira.