A Justiça revogou a prisão preventiva da delegada Layla Lima Ayub, da Polícia Civil de São Paulo, suspeita de manter vínculo com o PCC. Presa em janeiro na Operação Serpens, ela ficou detida por cerca de oito meses e foi solta na sexta-feira (18/9).
A defesa diz que a prisão foi considerada ilegal e que agora vai se concentrar em provar a inocência de Layla no processo criminal, que corre sob sigilo.
A Sra. Layla Lima Ayub e sua defesa receberam a notícia da revogação da ilegal prisão preventiva com tranquilidade e senso de justiça e, agora, passam a se concentrar em demonstrar a sua inocência na ação penal.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Layla mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção, inclusive atuando de forma irregular como advogada em audiências de custódia de presos do crime organizado, já depois de ter tomado posse como delegada.
O namorado dela, Jardel Neto Pereira da Cruz, o Dedel, é apontado como um dos responsáveis pela expansão do PCC no Norte do país. Ele já havia sido preso três vezes, em 2021, 2023 e janeiro deste ano.
No pedido de prisão, as autoridades chamaram de "audaciosa" a atitude de Layla: recém-empossada, ela levou Dedel para acompanhar sua formatura na Academia de Polícia, mesmo com ele tendo fugido do regime semiaberto e descumprido condições da liberdade condicional.
O caso, para o Ministério Público, não é isolado. "Além da economia formal, o crime organizado tem se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de estado", disse o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.
"Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido", completou.
A mesma semana mostrou outro ponto de contato entre o PCC e o poder público: mensagens apreendidas pela polícia colocaram o ex-vereador Milton Leite no foco de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro da facção via empresas de ônibus em São Paulo.
Também nesta semana, uma fraude no sistema nacional de mandados de prisão escondeu por 24 dias o nome de um foragido apontado como "Escorpião do PCC", usando o login de uma juíza para apagar o registro dele do cadastro.
O Brasil ainda não trata o PCC como organização terrorista, embora 14 países já classifiquem a facção dessa forma. Aqui, a discussão ainda é sobre até onde a facção já chegou dentro do próprio Estado.
O ponto em aberto
Os três casos desta semana em São Paulo levantam a mesma pergunta institucional: quantos vínculos como o de Layla ainda não foram descobertos? A própria Operação Serpens só avançou porque a corregedoria da Polícia Civil participou da investigação desde o início.





























