O Brasil registrou 232.382 afastamentos do trabalho por transtornos mentais entre janeiro e junho de 2026, queda de 13,2% ante o mesmo período de 2025, segundo dados do INSS levantados pela Data Cajuína. Ansiedade foi o diagnóstico mais comum, com 74.016 casos.
No detalhe, foram 105.874 afastamentos no primeiro trimestre e 126.508 no segundo, queda de 20,2% ante o mesmo trimestre de 2025. Depois da ansiedade, os episódios depressivos somaram 50.859 casos, seguidos por transtorno afetivo bipolar (25.831) e transtorno depressivo recorrente (25.441). A tendência já preocupava em cidades como Ribeirão Preto e Franca, no interior de São Paulo, onde afastamentos por saúde mental também vinham em alta.
A queda, porém, não significa que o problema diminuiu. "Uma queda nos afastamentos é um dado positivo, mas não podemos transformar esse indicador isoladamente em uma conclusão de que a saúde mental dos trabalhadores melhorou", diz Izabela Holanda, diretora da IH Consultoria e Desenvolvimento Humano.
O afastamento por transtorno mental também dura mais que a média: 196 dias, mais que o dobro dos 90 dias dos afastamentos por outras causas. Em 2025, o problema custou quase R$ 1 bilhão ao INSS.
Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) obriga empresas de todos os portes com empregados CLT, incluindo órgãos públicos, a identificar e controlar os riscos psicossociais. A lista inclui estresse, assédio, burnout e violência no trabalho, que passam a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos.
A regra já enfrenta contestação: a Justiça Federal suspendeu as multas por descumprimento da NR-1 para cerca de 130 mil empresas associadas à Fiesp, em São Paulo. A liminar não afasta a obrigação de cumprir a norma, nem a responsabilidade trabalhista por danos à saúde mental: só as multas administrativas.
O ambiente de trabalho ainda inibe o assunto. Segundo o Mind Health Report, estudo anual da seguradora AXA divulgado em agosto de 2026, 46% dos profissionais brasileiros não discutiriam problemas de saúde mental no trabalho por medo de consequências na carreira.
O que acontece agora
A discussão sobre jornada de trabalho segue no Congresso, com a PEC do fim da escala 6x1 avançando no Senado desde agosto.


























