O Ministério Público do Paraguai estimou em US$ 809,5 milhões o prejuízo preliminar do caso Ueno Bank e obteve, no sábado (7 de novembro), o bloqueio das contas bancárias do ex-presidente Santiago Peña e do ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
O montante inclui US$ 576,1 milhões em depósitos na moeda local e US$ 233,4 milhões em recursos em dólar do Instituto de Previdência Social, de Itaipu Binacional, de Yacyretá e da Ande, mantidos no banco enquanto ele emprestava a empresas do próprio grupo controlador.
A acusação aponta dois financiamentos simultâneos do Ueno Bank a Peña, em maio de 2024, de cerca de US$ 510,5 mil para construir uma casa em San Bernardino. As parcelas somavam US$ 34,4 mil por mês, cerca de seis vezes o salário do cargo.
A investigação também apura o paradeiro de dois envelopes com US$ 100 mil cada, guardados na residência oficial entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025 e entregues ao então presidente em junho seguinte, além de reuniões reservadas com o controlador do Ueno, Miguel Vázquez.
Por que o Brasil tem interesse nisso
Entre os recursos presos no banco estão US$ 163,8 milhões da Ande, a estatal paraguaia que administra Itaipu ao lado do Brasil. A empresa entrou com queixa-crime no sábado (7 de novembro) para tentar recuperar os valores.
O episódio expõe quanto dinheiro público paraguaio ficou preso num banco sob suspeita de fraude. Famílias e empresas brasileiras com contas no Ueno Bank também ficaram sem acesso ao dinheiro desde a intervenção.
Como a crise derrubou um presidente em 48 horas
A crise começou na terça-feira (3 de novembro), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após o índice de solvência cair à metade do mínimo legal. No mesmo dia, Carvallo, que presidira o próprio banco antes do BC, renunciou ao cargo.
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Peña renunciou à Presidência na quinta-feira (5 de novembro), um dia depois de deputados da oposição pedirem o impeachment dele. O Ueno Bank chegava a ter 3 milhões de clientes, equivalente a 60% da população adulta do país.
Uma deputada lidera outra frente: Rocío Vallejo prepara denúncia, para a segunda-feira (9 de novembro), sobre saques que teriam sido feitos com informação privilegiada antes da intervenção, enquanto correntistas comuns ficaram com a conta congelada.
O ponto em aberto
Resta saber se os recursos da Ande e de Yacyretá serão recuperados antes que o processo se arraste. O MP não disse quando conclui a imputação, nem como vai diferenciar quem sacou antes do colapso de quem ficou com a conta congelada.






























