A Justiça condenou seis pessoas por integrar uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho que facilitava a entrada de drogas e celulares em presídios da Zona da Mata mineira. Dois líderes pegaram mais de 11 anos de prisão em regime fechado.
A sentença é resultado da Operação Mecanismo, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com ações em Muriaé, Juiz de Fora, Cataguases, Palma e Rio de Janeiro.
Segundo a sentença, os líderes fecharam acordo com o então diretor de Segurança da Penitenciária de Muriaé para facilitar a entrada de drogas, celulares e outros materiais ilícitos, mediante propina e outros favores.
O grupo também obtinha informações antecipadas sobre operações de revista nas celas, e o esquema permitia repor celulares apreendidos e manter a comunicação entre integrantes presos e soltos.
Três mulheres também foram condenadas por participação na organização. Elas exerciam funções de gerência ligadas à logística financeira e à administração dos recursos das atividades criminosas, segundo o processo.
A Justiça manteve presos os dois líderes e um terceiro integrante, responsável pela função de "disciplina" dentro do grupo. Eles não poderão recorrer em liberdade, e a sentença, de 9 de setembro, ainda cabe recurso.
Uma investigação que já dura quatro anos
A Operação Mecanismo começou em 2022, com as duas primeiras fases deflagradas em abril e maio daquele ano. A terceira fase, em agosto de 2023, cumpriu três mandados de busca em Muriaé e Palma.
A quarta fase, em 26 de setembro de 2024, expediu sete mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
A operação teve apoio do Gaeco Regional de Visconde do Rio Branco, do Gaeco de Juiz de Fora e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPMG.
Não é a primeira vez que a região concentra ações contra a facção. Em julho, a TV Sim Brasil já havia mostrado outra operação na Zona da Mata contra o Comando Vermelho.
A discussão sobre o Comando Vermelho ganhou força nacional nas últimas semanas. O Brasil ficou fora da lista de 14 países que classificam a facção e o PCC como organizações terroristas, como mostrou a TV Sim Brasil sobre a classificação internacional.
O caso de Muriaé mostra, em escala local, o mesmo fenômeno que hoje divide o debate nacional sobre facções: o crime organizado dentro e fora dos presídios opera como rede, não como grupos isolados.
Em setembro, a Polícia Federal já havia bloqueado mais de meio bilhão de reais em recursos de facções criminosas numa operação nacional, segundo cobertura da TV Sim Brasil sobre a Força Integrada IV.
O que acontece agora
A defesa dos condenados pode recorrer da sentença de primeira instância. Os dois líderes e o integrante responsável pela disciplina do grupo seguem presos, já que a Justiça negou o direito de recorrer em liberdade.





























