Os ingressos gerais para os três shows do grupo sul-coreano BTS em São Paulo, previstos para o fim deste mês, estão esgotados desde abril: as 250 mil entradas para o estádio MorumBIS venderam em apenas 23 minutos, na abertura das vendas.

Restam só camarotes, que partem de R$ 4.990. Os números refletem um fenômeno global batizado de "hallyu", a onda coreana.

O Centro Cultural Coreano no Brasil, instituição do governo sul-coreano, acompanhou a mudança de perto desde que abriu, em 2013. Na época, cursos de língua e workshops culturais eram frequentados majoritariamente por coreanos e descendentes.

"Hoje, recebemos pessoas de todas as idades, principalmente brasileiros, e percebemos que o interesse pela Coreia não está mais limitado a uma única área", afirma Jeonghee Jong, diretora do centro.

"A gastronomia, o k-pop, os k-dramas e o skincare despertam ainda mais interesse", completa.

A presença sul-coreana em São Paulo é sentida com mais força no Bom Retiro, bairro reconhecido oficialmente pela Prefeitura como polo dessa cultura.

Donos de estabelecimentos da região notaram mudança no perfil do público, mais forte durante a pandemia, quando o isolamento impulsionou o consumo de séries como "Round 6" e "Pousando no Amor".

"Muitas dessas pessoas passaram a se interessar também pelo modo de vida, pela história e pelas tradições coreanas", diz Jong. O fenômeno também aparece na mesa.

"No drama coreano, o que não falta é comida", diz Regina Hwang, chef do restaurante Portal da Coreia. Daniel Park, do Komah, concorda: "o público vê um preparo nas séries e já chega mostrando a referência, tentando fazer a pronúncia do coreano".

Park completa: "só o fato de vir querendo provar algo específico, como o kimchi, já é algo que não era realidade dez anos atrás". Pratos como o bulgogi e o bibimbap dividem espaço com versões pop, como o hot-dog e o pão de alho coreanos.

O que acontece agora

O Centro Cultural Coreano segue com cursos e mostras abertas ao público durante o ano, incluindo uma mostra de cinema realizada em agosto. O mesmo interesse já impulsiona agências de viagem especializadas em roteiros pela Coreia do Sul.

O interesse também aparece nos palcos: em setembro, o Stray Kids se tornou o primeiro headliner de k-pop do Rock in Rio, e fãs do BTS no Brasil já organizam projetos próprios em torno do fandom.