Irã e Omã fecharam um acordo sobre as coordenadas de uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo e gás do mundo antes da guerra. O anúncio foi feito nesta semana pelo Irã, mas a reabertura plena do estreito segue condicionada à postura dos Estados Unidos.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, as coordenadas geográficas da rota planejada foram acordadas pelas duas partes. Já o vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi disse à agência oficial iraniana IRNA que o entendimento não significa que o Estreito de Ormuz será reaberto automaticamente — a liberação segue condicionada a medidas dos Estados Unidos, e Teerã e Mascate ainda negociam se o Irã vai cobrar taxa de trânsito dos navios.

Como funciona a nova rota negociada

Pelo acordo, os navios passariam a entrar no Golfo Pérsico por uma rota controlada pelo Irã e a sair por uma rota controlada por Omã, com desativação das rotas temporárias hoje usadas perto da Ilha de Larak e em águas territoriais de Omã. As partes também preveem um centro conjunto de coordenação para gerenciar o tráfego marítimo e reunir informações dos navios. A implementação inicial seria de dois a quatro meses e depende de aprovação da liderança máxima do Irã.

O Irã havia rebloqueado o estreito no início de julho, quando as hostilidades com forças dos Estados Unidos foram retomadas — a escalada envolve ainda operações de Israel contra o Hezbollah no Líbano e ataques houthis a navios. Gharibabadi atribuiu as condições da reabertura aos Estados Unidos, acusando Washington de reinstituir um bloqueio naval e reimpor sanções. O vice-presidente americano JD Vance chamou as negociações de desiguais, marcadas por avanços e recuos, enquanto o presidente Donald Trump disse que o estreito reabriria em breve ou o Irã sofreria um ataque forte.

Efeito no preço do combustível no Brasil

O Brasil não transporta petróleo pelo Estreito de Ormuz, mas sente o efeito porque a Petrobras acompanha a cotação internacional do produto. Em abril, no auge de um bloqueio anterior, o barril tipo Brent chegou a superar os US$ 100, com pico próximo de US$ 120. Depois de uma trégua, o preço recuou a US$ 70 em julho — quando o Irã rebloqueou o estreito, especialistas voltaram a projetar um salto de volta para os US$ 100 em caso de bloqueio prolongado.

Em abril, a economista Juliana Ianhz explicou à imprensa que o efeito no Brasil vem pelo preço dos derivados, que são precificados pelo mercado internacional — mesmo sem faltar petróleo, o preço pode subir bastante. Gabrielle Moreira, especialista em precificação de combustíveis da consultoria Argus, reforçou que o problema não é só pagar o preço internacional, mas também garantir produto disponível para o Brasil. Não há projeção de desabastecimento de combustíveis no Brasil, segundo levantamento da Fecombustíveis.