O Poder Judiciário encerrou 2025 com 75,5 milhões de processos em tramitação, segundo o relatório Justiça em Números 2026, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). É menos do que em 2024, mas o estoque ainda equivale a mais de um processo a cada três brasileiros.
A redução foi de 3,4 milhões de processos, queda de 4,3% num único ano.
Chama atenção porque 2025 foi, ao mesmo tempo, o ano de maior demanda da série histórica do CNJ: mais gente processou mais do que em qualquer ano anterior, e mesmo assim o estoque encolheu.
Onde a fila realmente anda
A taxa de congestionamento, medida que mostra a fatia de processos que não é julgada dentro do próprio ano, caiu para 62,6% em 2025. A taxa líquida, que desconta processos suspensos ou arquivados provisoriamente, chegou a 56,6%, o menor patamar já registrado pelo CNJ.
Nem toda fila anda no mesmo ritmo. As execuções fiscais, cobranças de dívida movidas por governos, tiveram o maior alívio em números absolutos: 4,4 milhões de processos a menos, queda de 21,3%, puxada pela Justiça Estadual.
Mesmo assim, a taxa de congestionamento das execuções fiscais seguiu em 72,4%. É o tipo de processo que mais emperra, mesmo depois da limpeza.
A aposta do novo presidente do STJ
O ministro Luis Felipe Salomão tomou posse nesta quarta-feira (19) na presidência do Superior Tribunal de Justiça, e já declarou a prioridade da gestão: agilizar a tramitação dos processos e estimular a desjudicialização, isto é, resolver conflitos por mediação e conciliação antes que virem processo.
O próprio CNJ já fixou meta para o tribunal: reduzir em 0,5 ponto percentual, até o fim de 2026, a taxa de congestionamento do STJ.
O que ainda não está resolvido
O Judiciário julgou mais do que recebeu em 2025, o que é bom.
Mas a diferença de ritmo entre as execuções fiscais, ainda travadas em quase três quartos de congestionamento, e o resto do sistema mostra que resolver o problema não depende só de julgar mais.
Fica em aberto se a aposta na desjudicialização, que depende de mudar o comportamento de quem processa e de quem é processado, vai render resultado tão rápido quanto o esforço de julgamento já rendeu.


























