O dermatologista Emerson Vicente Alves, 53, não tem perfil em nenhuma rede social. A única que já teve foi o Orkut, extinto em 2014, e ele faz parte de um grupo de médicos que resiste ao modelo de divulgação que hoje domina a profissão.
"Tem uma nova brincadeira que fala que residência e capacitação é para médico que não se garante no Instagram", diz Alves, aos risos.
Nos últimos anos, os perfis profissionais nas redes se tornaram comuns entre médicos, usados para atrair pacientes e ganhar relevância no mercado. Muitos pacientes hoje escolhem o profissional que vão consultar depois de ver o perfil dele no Instagram.
Esse mercado também atraiu perfis falsos de médicos gerados por IA, alvo recente de ação contra o Google.
Para o médico Estevam Rivello, segundo secretário do CFM, a mudança reflete uma transformação mais ampla na comunicação dos profissionais.
A medicina vem transformando essa realidade de comunicação e os profissionais tentam se colocar no mercado através dessas redes sociais.
Até março de 2024, a publicidade médica nas redes era regulada só pelo Código de Ética Médica, sem normas específicas, diz a médica e publicitária Katiuscia Fogaça, da Codame, do CRM-PR.
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O que mudou com a nova regra do CFM
A Resolução CFM nº 2.336/2023 entrou em vigor em 11 de março de 2024 e passou a permitir a divulgação de valores de consulta, conteúdo educativo e a estrutura do consultório nas redes. A norma exige que o CRM apareça na página principal do perfil.
Ficam proibidos promessa de cura, depoimento sensacionalista e termos como "o melhor da região".
"Antes, a regulamentação era feita com base no Código de Ética Médica, sem normativas específicas. Depois de março de 2024, a resolução elucidou pontos controversos e estabeleceu regras mais específicas", afirma Fogaça.
A internet se tornou um cartão de visita importante para muitos médicos, mesmo os que preferem ficar de fora dela.
Fogaça lembra que a demanda por regras já existia havia anos. "Havia essa necessidade, até mesmo pela mudança social, por causa dessas relações que são tratadas também virtualmente", diz.
Muitos médicos hoje contratam empresas especializadas em marketing para produzir o conteúdo publicado nos perfis profissionais, tratando a presença on-line como parte do trabalho.
A fiscalização de perfis irregulares segue com a plataforma Medicina Segura do CFM, lançada para registrar danos de atendimentos ilegais.
O que acontece agora
O CFM não exige que o médico informe se tem perfil nas redes, e por isso não existe um levantamento oficial de quantos profissionais estão fora delas. "Nos nossos cadastros não colocamos a obrigatoriedade do médico informar as mídias sociais próprias", diz Rivello.






























