A Pesquisa Evangélica Nacional 2026, do instituto Valentes Intel, ouviu 14.933 evangélicos nos 27 estados do país. O fiel retratado é majoritariamente de direita, mas rejeita a política dentro do culto. São 52,5% contra o tema no púlpito, e 33,4% a favor.
Por que os evangélicos rejeitam política no culto?
Os evangélicos rejeitam política no culto porque veem o púlpito como espaço reservado à fé, não ao debate partidário. É a leitura do próprio instituto responsável pela pesquisa.
"O púlpito, para este público, é lugar de Palavra, não de palanque", afirma o instituto Valentes Intel, responsável pelo levantamento.
Para a maioria dos evangélicos, a igreja segue sendo espaço de fé, não de campanha.
Nacionalmente, 52,5% dos evangélicos são contra igrejas tratarem de política durante o culto, e 33,4% são a favor. Em Minas Gerais, que respondeu a 1.700 dos 14.933 questionários, o cenário é semelhante. São 55,8% contra e 33,3% a favor.
O interesse por política é alto entre os entrevistados. Ao todo, 53,1% se dizem muito interessados no tema, mesmo rejeitando o debate dentro da igreja.
"O reacionário é diferente de conservador", diz o historiador Rodrigo Coppe, da PUC Minas, para quem o tamanho do grupo evangélico dá peso a esse debate. Segundo ele, quase um terço da população brasileira é composta por evangélicos.
O que mais a pesquisa revela sobre valores?
A pesquisa revela que valores conservadores convivem com posições mais progressistas. Entre os entrevistados, 85,7% defendem direitos iguais entre homens e mulheres, e 78,3% consideram fé e ciência complementares, não opostas.
Por outro lado, a maioria segue posições conservadoras em temas de costumes. São 67,8% contrários ao casamento homoafetivo e 70% contrários à legalização da maconha.
A pesquisa também aponta diferença por geração. Entre os evangélicos mais jovens há menos identificação com os campos tradicionais de direita e esquerda, e essa identificação com a direita cresce conforme a idade avança.
O peso político do público evangélico já apareceu em outros momentos da campanha. Nesta semana, Lula recebeu pastores dos Estados Unidos para reforçar a Trump um recado sobre a eleição.
O recorte por religião também aparece em outros levantamentos sobre a avaliação do governo federal, com diferença entre o público evangélico e o católico.
O consumo de conteúdo religioso também migrou para o digital. Ao todo, 66,3% dos evangélicos afirmam consumir conteúdo cristão diariamente, movimento que já inclui o uso de inteligência artificial na prática religiosa entre cristãos no Brasil.
O que isso pode significar para a eleição de outubro?
Para a eleição de outubro, o retrato sugere um eleitorado evangélico que resiste ao discurso político dentro da igreja, mesmo se dizendo majoritariamente de direita. A divisão nos valores de costumes mostra que o bloco está longe de ser uniforme.
A pesquisa foi feita on-line, com 44 perguntas em sete blocos, e ponderada pelo método Raking (IPF), calibrado por sexo, região, escolaridade, renda e cor, com referência no Censo 2022 e na Pnad Contínua de 2024, do IBGE.


























