O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (17) o candidato do PSDB ao Senado por Minas Gerais, Aécio Neves, e refutou uma "dobradinha" entre ele e as candidatas da chapa petista, Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (Psol).

Lula falou durante comício em Montes Claros, ao lado do candidato do PT ao governo de MG, Patrus Ananias, horas depois de visitar um complexo industrial da Eurofarma na cidade.

"Não tem essa de fazer dobradinha entre Marília e Áurea com Aécio ou outro candidato qualquer", disse o presidente, que classificou a manobra como dar "colher de chá para a extrema-direita".

A fala mira o chamado "voto Marécio", termo criado por eleitores para descrever a combinação informal dos dois votos do Senado em Aécio Neves e Marília Campos, hoje as duas candidaturas mais bem posicionadas na disputa pelas vagas mineiras.

Lula também criticou a relação passada entre Aécio e o PT mineiro. Segundo ele, quando Aécio era governador, não citava o nome do governo federal nos programas em parceria com o Planalto.

Antes de Lula, a própria Áurea Carolina já vinha reagindo ao fenômeno. Em mensagem a aliados de coligação, ela pediu mobilização.

"Precisamos fazer a Áurea ser mais conhecida em Minas Gerais e não podemos deixar Aécio ser eleito", escreveu a candidata, que passou a usar a hashtag #SaiAécioEntraÁurea.

As duas campanhas envolvidas no "voto Marécio" negam qualquer coordenação. Um assessor da campanha petista disse que o fenômeno "foge completamente do nosso controle" e não é "uma construção da campanha". Do lado tucano, um interlocutor chamou de "coisas naturais que acontecem na campanha".

O episódio expõe uma tensão dentro da própria chapa de esquerda: o mesmo fenômeno que amplia o alcance de Marília além da base petista é visto por Áurea, sua companheira de chapa, como ameaça à vaga que ela disputa.

Aécio, que já se apresenta como candidato independente, sem vínculo com Lula ou Bolsonaro, também esteve em Montes Claros nesta quinta, em agenda separada com aliados do Norte de Minas.

Ele soma apoios crescentes na capital mineira, onde o prefeito de Belo Horizonte rompeu a neutralidade para declará-lo seu candidato ao Senado.

O que acontece agora

A disputa pelas duas vagas mineiras ao Senado segue até o primeiro turno, em 4 de outubro. Marília Campos, Aécio Neves e Áurea Carolina disputam posições de liderança ao lado de outros candidatos, como Carlos Viana, Domingos Sávio e Marcelo Aro.