A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou nesta quarta-feira (23) uma notícia-crime contra o presidente Lula (PT) ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando proximidade indevida com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e pedindo à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de inquérito.

O documento, enviado ao ministro André Mendonça, cita um encontro entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, fora da agenda oficial, articulado pelo ex-ministro Guido Mantega.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram o próprio banqueiro relatando o encontro ao advogado Walfrido Warde. Numa delas, Vorcaro escreveu que o presidente agradeceu por um uísque que ele havia dado de presente.

Um presente pode ser gesto de afeto entre amigos, mas jamais entre o Presidente da República e um banqueiro cujos negócios dependiam diretamente da leniência do Estado.

É separado disso o que circula nas redes sociais: uma alegação diferente e falsa, a de que documentos liberados pelo STF mostrariam Lula recebendo R$ 300 milhões de Vorcaro. São coisas diferentes: uma é boato já desmentido; a outra, uma ação política real.

O UOL Confere checou todos os relatórios tornados públicos pelo STF no caso Master e não achou nenhuma menção a essa transferência. O Supremo classificou a alegação como improcedente.

Em debate promovido pela revista Veja nesta quarta, o governador Ronaldo Caiado (PSD) acusou Lula e Flávio de envolvimento com Vorcaro, o INSS e rachadinha, sem apresentar provas. Romeu Zema (Novo) foi na mesma linha.

Zema defendeu a prisão de parte dos ministros do STF. Lula, Flávio e Renan Santos não compareceram ao debate. Desde a semana passada, a campanha de Lula já usa a relação com Vorcaro, com o mote "quem vota em Flávio vota em Vorcaro".

O que muda com a notícia-crime

A notícia-crime não abre um processo sozinha: cabe à PGR decidir se pede a abertura de inquérito ao STF, e a Vorcaro seguir sendo ouvido nas investigações do caso Master em curso.

O que acontece agora

O ministro Luiz Fux deu 10 dias para o Senado explicar visitas de Vorcaro e de outras sete pessoas à Casa desde 2019, incluindo a mulher do ministro Alexandre de Moraes.

O ministro Cristiano Zanin já negou liminar para instalar uma CPI do Banco Master, e o depoimento de Vorcaro à Polícia Federal já foi adiado duas vezes.