A semeadura da soja da safra 2026/27 atingiu 0,5% da área prevista até 18 de setembro no Brasil, abaixo da média histórica dos últimos cinco anos para o mesmo período, que é de 0,9% da área, segundo dados da consultoria AgRural.

Por que o plantio está atrasado?

O atraso se concentra no Brasil Central, onde Goiás e Mato Grosso enfrentam chuvas irregulares e baixos volumes de precipitação previstos para as próximas semanas. O Sul do país, ao contrário, já recebeu chuvas volumosas no início de setembro.

A baixa umidade do solo limita a entrada de máquinas nas lavouras e eleva o risco de germinação desuniforme, falhas de estande e eventual replantio. A expectativa é de que as chuvas só se regularizem no Brasil Central e no Matopiba em novembro.

Em Mato Grosso, porém, o cenário é diferente: o estado já plantou 1,15% dos 13,05 milhões de hectares projetados, ritmo 0,6 ponto percentual acima do registrado no mesmo período da safra passada.

O que acontece com o preço da soja?

Enquanto o plantio patina, o preço sobe. A saca de 60 kg no Porto de Paranaguá (PR) fechou em R$ 161,93, alta de 0,25% no dia, com acumulado de 1,56% no mês, segundo o Cepea/Esalq.

É o mesmo padrão de outras safras atrasadas: menos oferta no horizonte pressiona o preço já na largada do plantio.

Outras praças também subiram: Ponta Grossa (PR) a R$ 157, Passo Fundo (RS) a R$ 153 e Uberaba (MG) a R$ 155 a saca. Em Chicago, a referência internacional para novembro caiu 0,19% no mesmo dia, na direção oposta ao mercado brasileiro.

O que acontece agora

A safra 2026/27 é acompanhada de perto pela Conab e ocorre sob o efeito do Super El Niño que já ameaça a safra e a pecuária no país. A própria Conab já reforçou estoques de milho de olho no fenômeno.

O ritmo do plantio de soja deve ficar mais claro nas próximas semanas, à medida que as chuvas avançarem pelo Centro-Oeste.

A safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul, que aponta para recorde em 2027/28, é outro termômetro do impacto do clima no próximo ciclo agrícola.