O Ministério Público de São Paulo denunciou nesta quarta-feira (23) Marcos Philipe de Barros e Mayke Cesar Silva, dois falsos médicos suspeitos de ligação com a morte de oito pessoas em um hospital particular da zona leste da capital paulista.
Os dois eram investigados desde o ano passado pela atuação clandestina na unidade. Segundo a apuração, forjaram a identidade médica a partir do registro profissional de outros médicos, que não sabiam da fraude.
A investigação da Polícia Civil fala em 8.000 pacientes atendidos pelos farsantes, incluindo as oito mortes sob suspeita.
Procurada pela Folha, a defesa de Mayke Cesar afirmou que não há elementos para comprovar dolo nas mortes investigadas. Segundo a defesa, Mayke é estudante de medicina, matriculado no último período do curso, e atuava como estagiário no hospital, sob supervisão de outro médico.
Quanto aos óbitos apurados, a tese defensiva sustenta a ocorrência de causas naturais, por intercorrências clínicas decorrentes de comorbidades preexistentes, devidamente documentadas em prontuário médico
Uma das pacientes deu entrada já em estado grave, em quadro de dengue hemorrágica, inconsciente, removida por meios próprios de outra unidade hospitalar. A segunda paciente era portadora de doença pulmonar obstrutiva crônica em estágio avançado, afirmou Rosana Machado à Folha.
A defesa de Marcos não foi localizada até a publicação da reportagem da Folha.
Policiais civis em campana no condomínio onde Marcos morava, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, o filmaram durante a aplicação de tirzepatida em uma paciente. Ele também dava consultas por telemedicina, direto de casa.
A investigação mostrou que Mayke usava os documentos de um homônimo de Catanduva. Marcos assinava com o nome de um médico de Marília identificado como Nicolas J.D.M.
A Anvisa já flagrou outros casos de venda irregular de canetas emagrecedoras como a tirzepatida no país.
Segundo a polícia, os dois profissionais do interior paulista são vítimas da fraude e não têm qualquer envolvimento com os investigados.
Em maio, durante uma segunda fase da apuração que resultou na prisão de Mayke, o Hospital das Clínicas Jardim Helena disse que também foi vítima da ação dos investigados. Segundo o hospital, um boletim de ocorrência foi registrado na primeira fase da mesma operação.
O hospital afirma ainda que os investigados eram terceirizados e que abriu sindicância interna para apurar o caso.





























