Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23) mostra que 52,3% dos eleitores acham que a crise do Supremo Tribunal Federal prejudica mais Lula do que Flávio Bolsonaro, mesmo o escândalo do Banco Master sendo mais associado a aliados do senador.

A pesquisa foi contratada pela Bloomberg, ouviu 5.015 pessoas entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de 1 ponto percentual, e está registrada no TSE sob o número BR-04739/2026.

O próprio presidente do PT, Edinho Silva, chegou à mesma leitura horas antes, em discurso a militantes em Belo Horizonte, ao lado do candidato ao governo de Minas, Patrus Ananias. A fala expõe o problema por dentro do próprio partido.

Segundo a pesquisa, a distribuição da culpa pelo escândalo do Master está tecnicamente empatada entre os dois lados: 43,8% dos eleitores atribuem o esquema a aliados de Bolsonaro, e 43,4%, a aliados de Lula.

Ainda assim, o desgaste eleitoral recai mais sobre o presidente. Só 20,7% culpam mais Flávio pela crise; 15,5% dizem que os dois são igualmente afetados.

O escândalo do Master é o pano de fundo dos dois números, na mesma semana em que outra pesquisa mostrou Lula perdendo força no Nordeste e ganhando no Sudeste.

Por que a culpa dividida não gera um desgaste dividido

A explicação está na régua de quem governa: crise institucional tende a puxar a avaliação do incumbente, segundo o analista Rafael Cortez. "A agenda que vem do Supremo Tribunal Federal é negativa para a campanha de reeleição", disse à CNN.

Edinho Silva resumiu o mecanismo em termos parecidos, só que com outra linguagem: "Essa crise, esse sentimento de um desagrado, ele acabou atingindo o incumbente da vez. O incumbente da vez é o presidente Lula", disse o dirigente petista a militantes.

Segundo Cortez, o Palácio do Planalto já reagiu: o reajuste do Bolsa Família teve efeito concreto no bolso do eleitor, mas também funcionou como tentativa de puxar a pauta de campanha para um tema mais favorável ao governo.

O desgaste soma-se a outro capítulo do mesmo pano de fundo: nesta mesma quarta, a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou notícia-crime contra Lula por suposta proximidade com o banqueiro investigado Daniel Vorcaro.

O ponto em aberto

O STF pode adiar decisões sensíveis, como o caso que opõe os ministros Moraes e Mendonça, para o ano que vem. Não está claro se a crise perde força até outubro ou se arrasta até a reta final da campanha.