A candidata do PSB ao Senado por São Paulo, Simone Tebet, afirmou nesta quarta-feira (23) que eleger o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) seria o risco de "trazer a milícia do Rio de Janeiro para dentro do Palácio do Planalto", segundo a candidata.
A fala veio na saída de um debate ao Senado na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em São Paulo.
Tebet avalia que a vitória de Flávio representaria um risco civilizatório e à soberania nacional. Ela reforçou o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo se definindo como política de centro.
"Eu não sou Lula, mas eu apoio o Lula porque o lado de lá significa um risco civilizatório, um risco da soberania nacional", declarou a senadora.
Por que Tebet liga Flávio a milícias?
A associação remete ao histórico de Flávio com Adriano Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano, suspeito de liderar milícia na zona oeste do Rio. Ele é apontado como integrante do Escritório do Crime.
Em 2008, quando deputado estadual, Flávio votou contra a abertura da CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Ele também concedeu a Adriano a Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj, enquanto o miliciano estava preso sob acusação de homicídio.
A mãe e a então esposa de Adriano chegaram a trabalhar no gabinete de Flávio na Alerj. As duas deixaram os cargos em novembro de 2018, depois de surgirem suspeitas envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador ligado ao avanço de Flávio nas pesquisas deste ano.
As investigações sobre o tema foram encerradas em 2021, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) anular as provas coletadas contra Flávio. Em sabatina no Jornal Nacional nesta campanha, o senador disse que fez as homenagens a Adriano antes de surgirem as acusações contra ele.
A campanha de Flávio passou a citar milícias na propaganda eleitoral de rádio e TV ao falar de combate ao crime organizado, item que antes citava só o PCC e o Comando Vermelho.
O que acontece agora
Tebet disse ainda, no mesmo evento, que até três ministros do STF precisam ser investigados, sem detalhar nomes nem indícios.
A declaração ecoa a disputa em curso entre o Planalto e o entorno de Flávio no STF, que motivou ação do próprio senador contra Lula nesta semana.
A fala ocorre na reta final de uma campanha em que Flávio aparece em empate técnico com Lula em simulação de segundo turno. Novos debates entre os presidenciáveis devem ocorrer nas próximas semanas, com a proximidade da votação.





























