O governo argentino convocou nesta terça-feira (22) o embaixador britânico em Buenos Aires, David Cairns, para protestar contra a prorrogação de licenças de petróleo nas Malvinas, arquipélago administrado por Londres desde 1833, após a entrada de uma nova petrolífera na área.
O Ministério das Relações Exteriores argentino classificou a exploração de petróleo como contrária ao Direito Internacional e disse que ela viola a soberania nacional argentina. Segundo a nota, o país não reconhece competência de outra autoridade para autorizar atividades de hidrocarbonetos na plataforma continental disputada.
A nota argentina recusa também a aprovação para a entrada da Navitas Petroleum Atlantic Limited na licença PL001, a concessão de exploração em alto mar prorrogada pelas autoridades das Malvinas.
A convocação de Cairns é o gesto mais direto do governo Milei até aqui.
O chanceler argentino, Pablo Quirno, informou que o país vai usar "todas as ferramentas diplomáticas, administrativas, econômicas, judiciais e legais" à disposição para levar à Justiça quem explorar os recursos das Malvinas "ilegalmente".
Em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, tratou do tema em reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele disse que o Reino Unido vai defender a soberania sobre o arquipélago diante de qualquer pressão.
"Eu só queria que o presidente soubesse diretamente de mim que essa é a posição clara do Reino Unido, e ele entendeu muito bem o que eu estava dizendo", disse Burnham.
Ele prometeu ainda defender a autodeterminação dos moradores das Malvinas. O encontro aconteceu à margem da mesma Assembleia Geral da ONU em que o presidente Lula discursou nesta semana. Lula fez críticas ao que chamou de genocídio em Gaza.
A sessão da ONU também é marcada pela decisão dos Estados Unidos de reduzir o financiamento do organismo e restringir vistos a autoridades estrangeiras.
Em agosto, Trump disse que revisava a posição neutra dos Estados Unidos sobre o arquipélago, que os britânicos chamam de Falkland Islands. Na mesma semana da reunião com Burnham, Trump também defendeu proibir a exportação de diesel dos EUA para países como o Brasil.
Dias depois do anúncio de Trump sobre as Malvinas, Milei afirmou que aplicaria sanções a petrolíferas que perfurassem nas ilhas sem autorização argentina.
Por que o Brasil apoia a Argentina nas Malvinas
O Brasil apoia a reivindicação argentina de soberania sobre as Malvinas desde 1833, quando o Reino Unido assumiu o controle do arquipélago, o que faz desse apoio uma das posições mais antigas da diplomacia brasileira.
Eduardo Uziel, encarregado de negócios do Brasil em Buenos Aires, classificou o apoio como "invariável" mesmo com o atrito entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei.
O apoio brasileiro sobrevive ao atrito político entre os dois presidentes. Em junho, no Comitê Especial de Descolonização da ONU, a delegação brasileira reafirmou o apoio aos direitos argentinos.
A disputa deve seguir no radar diplomático nos próximos meses. A Argentina prometeu buscar reparação judicial contra as petrolíferas, e o Brasil mantém o apoio à soberania argentina na pauta do comitê de descolonização da ONU.





























